Política

Miseráveis

Perante o absurdo e o abuso da governação do país, o disparate e a injustiça, a insensibilidade disfarçada com “dores de coração” dos ministros e do seu chefe, a impotência é o mais óbvio sentimento que nos limita pensamento e acção.

Impotentes perante o que nos dizem ser a inevitabilidade das reduções de salários da administração pública, do aumento dos impostos, da redução das prestações sociais, do fim de deduções fiscais, expandimos a ira em comentários públicos e anónimos, juramos pela pele do chefe daquilo a que ainda chamam Governo.

Os funcionários públicos, ganhem ou não mais de 1500 euros, como se isso fosse uma fortuna, foram nomeados para pagar a crise e a irresponsabilidade e incompetência dos três partidos que nos governam há mais de trinta anos. Além das reduções salariais, os desgraçados dos funcionários da administração pública vão ainda ter de arcar com o aumento da comparticipação para a Caixa Geral de Aposentações, a redução de comparticipações, o aumento do IVA e a reduções das deduções no IRS.  Foram nomeados para pagar os disparates das políticas do PS e do PSD, mas também os submarinos do CDS, sem que tenham qualquer responsabilidade nesta miserável governação que nos enterrou e mais nos enterrará no futuro.

Do que não se fala por estes dias de justificações gastas e esfarrapadas é de lucros bancários por taxar justamente há dezenas de anos, da fuga ao fisco de grandes empresas sedeadas nos offshores, de um modelo económico que favorece a destruição do aparelho produtivo nacional, da venda ao desbarato de empresas públicas que só são deficitárias quando estão na mão do Estado (por que será?).

Tudo isto fomos aceitando impotentes, incapazes de reagir. Tudo isto nos impuseram, crentes na nossa incapacidade de reagir, atados de pés e mãos pela prestação da casa, do carro, do plasma, das férias, das propinas das licenciaturas e dos mestrados dos filhos. Atados de pés e mãos pelo contrato precário que nos faz ver o olho da rua num instante. Eis a grande conquista do capitalismo moderno: damos-te sempre mais, mas se te quiseres meter connosco tens de pagar um preço muito mais elevado do que esperarias.

A grande dúvida que se coloca por estes dias é saber por quanto tempo ficaremos neste estado de letargia induzida por um capitalismo cada vez mais ágil e cruel, ainda que, em Portugal, possa até ser personificado por alguém que se diz grande defensor do estado social.

Quanto tempo mais aceitaremos esta miserável vida que estes miseráveis nos impõem? Quando começaremos a resistir a sério?

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