Cultura

A propósito das Jornadas Europeias de Património

Recuperação do Convento de Santa Clara a Velha (Coimbra). Um trabalho de fôlego.

Devemo-nos, enquanto cidadãos, preocupar com o nosso património cultural – refiro-me aos edifícios, muitas vezes já classificados como monumentos, erigidos noutras épocas pelos nossos antepassados? Devemos estar disponíveis para aceitar que o dinheiro dos nossos impostos seja também canalizado para recuperar aquilo que são, muitas vezes, pouco menos que “montes de pedras”? Ou haverá outras coisas mais importantes? Um país pobre (digamos remediado, como nós) não tem direito à ambição de poder olhar para seu passado e disso mostrar testemunho?

Quando olhamos para trás e nos faltam esses testemunhos é quase como se não tivéssemos existido. Somos, no mínimo, mais pobres. E, no nosso caso, Portugal tem uma longa história de quase mil anos de que se pode justamente orgulhar. Com muitos testemunhos. Mas com muitos testemunhos danificados ou mal tratados.

A consciência da valia e importância do património cultural edificado é relativamente recente. Basta constatar que a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural e Natural, foi adoptada pela Conferência Geral da UNESCO apenas em em 1972, i.e., há escassos 38 anos. E o reconhecimento do público estará a dar, não os primeiros passos, mas talvez os segundos. Já apreciamos visitar edifícios históricos devidamente tratados e musealizados ou interpretados. E até já quase todos sabemos que esses edifícios (castelos, convento, igrejas, centros históricos locais arqueológicos) podem ser factores de atracção de público – o que é fundamental para a sobrevivência e êxito de qualquer cidade, mormente em tempos difíceis de crise.

Muitas cidades já perceberam a importância de ter “património mundial”, “património nacional” ou de, tão só, terem o seu património cuidado, valorizado e promovido – ganhamos culturalmente e ganhamos economicamente.  O património cultural edificado é o que de verdadeiramente distintivo cada cidade tem. E o mundo globalizado em que vivemos valoriza a distinção.

O investimento nesta área – a recuperação e valorização do património – deve ser considerado estratégico como o é para outras. E o poderes públicos devem agir e conformidade.

Vem estas reflexões a propósito das Jornadas Europeias do Património que decorreram nos dias 25 26 e 27 de Setembro e que visaram “sensibilizar a população para a importância da protecção e da valorização do Património”.

À tremenda e longa luta que tem sido, em Setúbal, a recuperação do Convento de Jesus, teremos que acrescentar os esquecidos baluartes seiscentistas, que persistem em resistir e de cuja situação já aqui se deu nota (1), (2), (3) e (4).

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