Costumes

Negócios Jurídicos

Ricardo Sá Fernandes é presença assídua na televisão e noutros meios de comunicação social. Está sempre na primeira fila, em bicos de pés a levantar freneticamente o dedo para saberem onde está. Os colegas, quando entram ou saem das audiências, sabem sempre onde está o dr. Ricardo Sá Fernandes. É só olhar à volta e ver o aglomerado de câmaras e máquinas fotográficas.

Não é que as suas opiniões sejam particularmente relevantes ou tenham acrescida substância. Nada disso, por vezes até  é confrangedor vê-lo andar às voltas de afirmações que proferiu para as deixar cair sem grandes cacos. É parte de uma estratégia de marketing que o tornam conhecido entre o mercado potencial. É a transposição para o direito da máxima de Warhol: “ a maior arte é um negócio e o que é importante é ser-se célebre nem que seja por cinco minutos”. Ricardo Sá Fernandes soma muito mais que cinco minutos. Da Universidade Moderna à Casa Pia, passando pelo caso Sá Carneiro até à Face Oculta, é um ver que te avias.Em qualquer caso que potencialmente tenha repercussão na comunicação social, lá está o dr. Ricardo Sá Fernandes. Poucos escapam à fina malha da sua rede de captação. Havendo um processo mediático é praticamente certo e sabido que lá estará o celebrado dr. É garantido que qualquer que seja o painel de causídicos envolvidos é sempre ele a estrela mediática. O artista convidado com maior tempo de antena. O Tony Carreira dos advogados nacionais.

Agora, no final do caso Casa Pia, fez tudo para aparecer. Primeiro, no tribunal levantando a dúvida se o acórdão já estaria efectivamente redigido, o que lhe garantia, ele sabia-o de ginjeira, um enxame de jornalistas e idas à televisão.
Na Sic Notícias, exibindo indignações, lá foi dizendo que não era propriamente isso que tinha dito, ou se tinha dito o significado era outro, mais frito e cozido,  até que o jornalista o confrontou com a afirmação feita por Carlos Cruz na conferência de imprensa “os meus advogados nunca defenderiam um abusador sexual”. Ricardo Sá Fernandes, atirando as certezas absolutas de Carlos Cruz borda fora, atalhou para explicar que não era bem assim. De um confesso abusador sexual a um inocente acusado de abuso sexual, há um vasto leque de personagens e todos merecem defesa jurídica. Generalidades rústicas ditas com convicção, que apontam para a porta do seu escritório que deve estar sempre aberta protegida por um detector de interesses.

Ficámos esclarecidos. A multidão de personagens, acusados dos mais diversos crimes, inocentes ou culpados, pode contar com o empenho do dr, Ricardo Sá Fernandes. Presume-se, naturalmente, que terão que garantir um bom rendimento material ou imaterial.

Ao ouvir aquela intervenção, com muito teatro e pouca espessura, recorda-se um escrito de Luiz Pacheco a Maldonado Gonelha “ Carta a Gonelha” em que, a dado passo e citando de cor, se escreve : Vi-te na televisão. Falaste bem com a costumada volubilidade (…) eu adivinhar-te a sina (.) o que tu queres é cacau.

Ora para ao cacau somar cacau, provavelmente sairá um livro para a mesa do canto, ideia que não escaparia à mais burra das socialites, Literariamente estará ao nível das revistas rosa, a mão que escreve também não dá para mais,  nem é isso que interessa porque será aí que terá a mais grossa fatia do seu mercado e por essas bandas as exigências estilisticas são praticamente nula. A grande e extrema curiosidade é que as verdadeiras vítimas, os alunos da Casa Pia, nunca existirem para o magnífico dr. Ricardo Sá Fernandes, excepto quando os continuou a violentar nos interrogatórios com perguntas capciosas.

Oh! Ricardito, qual era a cor das peúgas que usavas quando fizeste o exame da 2ª classe? Que camisa vestias quando perdeste a virgindade?

O Ricardo Sá Fernandes ainda vai arrecadar mais algum com direitos de autor de um livro fedorento! Há sempre clientela para chafurdar no lixo e como o dr. aparece muitas vezes na televisão é um ganho publicitário garantido.
Nesta sociedade decadente, até este post irá contribuir para o tilintar de mais uns cêntimos nos seus bolsos. Não cobramos nada por isso. É só para se saber que sabemos.

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One thought on “Negócios Jurídicos

  1. João Pinheiro diz:

    Faltava o teu excelete exame dessa patética figura, o Ricardo Sá Fernanes, para descansarem as dúvidas que por aí pairavam sobre a honradês da repelente criatura. Mas o outro comparsa da farsa, o bem falante, mas mais contido, Serra Lopes, sinistra figura da advocacia do dinheiro também merecia algum comentário

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