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Imagens chocantes

Arrábida na zona de Sesimbra vista em altitude

Palavras para quê? Basta ver as imagens publicadas na edição de 04 de Setembro do jornal “Expresso” para se ter uma ideia clara (e chocante) do que representa a actividade de exploração de pedreiras e inertes em diversas zonas da cordilheira e parque natural da Arrábida, nos concelhos de Setúbal e Sesimbra.

As imagens de Luiz Carvalho falam por si. Claro que são preocupantes as construções, algumas clandestinas, que vimos surgir um pouco por todo lado e que – legitimamente – tanto interesse mediático suscitam . Mas, mais preocupante é a dimensão das crateras quando observadas em altitude, pelo impacto brutal que representam numa paisagem dita protegida. Algumas situadas mesmo a poucos metros das arribas.

Claro que estas explorações são legais. E o problema é esse. Mas… como podem ser legais? A criação de um Parque Natural – e o da Arrábida data de 1976, apesar de o seu Plano ser bem mais recente – deveria contribuir para arranjar formas de lidar com problemas justamente desta natureza e dimensão. Com estratégias adequadas e aplicadas paulatinamente ao longo dos anos. Mas pergunte-se: seria diferente se não houvesse Parque Natural? É que a medíocre resposta que o Estado tem conseguido dar ao longo desses anos peca por escassa e causa-nos o horror que as imagens transmitem.

Não será despicienda a questão económica representada pela actividade deste sector: os postos de trabalho, os inertes extraídos, i.e. a riqueza produzida. É por isso que qualquer solução teria (terá) que ser projectada e acordada entre as partes a médio e longo prazo. Soluções que conduzam a um redimensionamento em baixa das explorações, com vista à sua cessação num horizonte temporal contratualizado e definido. Mas também não é isso que vimos. Ainda recentemente (2007), por exemplo, a cimenteira SECIL foi autorizada a aumentar a sua cota de exploração de pedreiras em profundidade ”de 120 para 60 metros na pedreira de calcário e de 100 para 40 metros na pedreira de marga”. Assim não chegamos lá. É completamente contraditório com os tais objectivos proclamados em 1976, em letra de lei, de “proteger os valores geológicos, florísticos, faunísticos e paisagísticos locais” da Arrábida.

Temos que exigir mais de um Parque Natural.

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One thought on “Imagens chocantes

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