Costumes, Geral

Justiça, JÁ!

Depois de anos a produzir manobras dilatórias em cascata, os advogados de defesa dos arguidos do Processo Casa Pia querem o acórdão, já! Estranha pressa que não devia surpreender depois do muito que já se ouviu, tanto no que se conhece terem argumentado durante o julgamento, como nas intervenções que fazem no inusitado tempo de antena que têm tido!

Quando, serenamente, for compilado tudo o que o foi dito em diversas instâncias e lugares, em directo e diferido, pelos directamente intervenientes, arguidos e seus advogados, haverá coisas que muito espantarão quem se der ao trabalho de ler essa peça de teatro, de mau teatro, a que se tem assistido e em que as vítimas, até parecem não existir, são duplamente violentadas: primeiro, física e moralmente, pelos presumíveis culpados e por muitos outros possíveis culpados que escaparam ao banco dos réus; depois do crime denunciado, intelectualmente, por quem usa qualquer arma para alcançar os objectivos procurando desacreditá-los.
Passados todos estes anos, os jovens violados, quando eram pré-adolescentes e adolescentes, são hoje adultos com os percursos mais diversos, da recuperação possível a abismos abomináveis. Em qualquer dos casos, não é indiferente o que foram forçados a sofrer. O que é brutalmente diferente é olhá-los enquanto crianças e olhá-los hoje. Essa diferença temporal não é indiferente na formação de um juízo. Há quem saiba manipular muito habilmente essa realidade.

Agora saltam os advogados a querer justiça já! sendo claro que, para eles, justiça é os arguidos serem inocentados ao molho! Culpado há só um, Carlos Silvino e mais nenhum! Mas esse está fora do baralho dos arguidos mediáticos!
Há um aspecto nada falado e que tem enorme importância neste julgamento: o aspecto económico e publicitário. Só quem tem muitos recursos pode contratar advogados daquele gabarito!

Quanto é que os advogados já receberam de honorários e quanto esperam futuramente receber em conformidade com o resultado das decisões do tribunal? Não deve ser pouco.

A somar a essas verbas haverá que adicionar o valor da publicidade que obtiveram, e continuam a conseguir, com o decurso do julgamento. Isso é por demais evidente que vale muito.

Ninguém fala disso ou por pudor ou lá pelo que seja, mas essa é a outra face deste julgamento e do circo mediático montado à sua volta e que tem usado com grande à vontade, particularmente por alguns advogados.

Nos tempos que correm, o crime, algum crime, tornou-se um nicho de negócio! Um rico negócio!!!

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3 thoughts on “Justiça, JÁ!

  1. Manuel Augusto Araujo diz:

    Subscrevo por inteiro o seu comentário.
    Não esquecendo alguns factos relevantes de que se referem só três, o espaço é escasso.
    Os advogados de Carlos Cruz trouxeram a Portugal, quiseram-nos incluir no rol de peritos a ouvir pelo tribunal, dois psicólogos norte-americanos que defendiam a tese que as vitimas eram beneficiadas na sua relação com os algozes porque, dado o estatuto social destes, a sua auto-estima era muitíssimo beneficiada. Só faltava dizer que a violação era mesmo um acto de assistência social de elevado grau de sucesso!
    Também não se deve esquecer que Inês Serra Lopes, filha de um dos advogados de defesa de Carlos Cruz e, na altura, directora do Independente, foi condenada em todas as instâncias por comprar uma funcionária da RTP para ir à Judiciária lançar a confusão no processo com a introdução de um sósia de Carlos Cruz. Foi notícia nesse jornal e não impediu que Ricardo Sá Fernandes argumentasse que Carlos Cruz era vítima da mediatização do processo.
    Mais uma curiosidade. O advogado do embaixador Jorge Ritto, não negou a orientação sexual do seu constituinte, mas argumentou que ao embaixador, que já tinha sido salvo de crimes semelhantes na África do Sul e na Austria pelo seu estatuto diplomático, repugnavam contactos que envolvessem penetração. Quer dizer o embaixador é um homossexual de outra estirpe, dado a práticas metafísicas, platónicas!
    Estaríamos a rir a bandeiras despregadas se tudo isto não fosse repugnante e não fora a gravidade do que aconteceu e, provavelmente, do desfecho que tudo isto terá

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  2. Vasco Duarte Teixeira diz:

    Continuar a chamar Justiça ao que se passa nos tribunais, Governo a este conjunto de antropóides, que transformaram o nosso País à imagem do seu habitat natural, é a normalidade no seu apogeu, é as pernas paridas, – Mas podia ter morrido. Teve sorte.
    Nesta plutocracia micro(?)fascista só se ouvem «santas palavras».
    Está instalada a (h)é(c)tica legalista! Tem que haver vacina.

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  3. O que teria de constar de um acórdão decente…
    Primeiro: Os jovens violentados nunca deveriam ter vindo a público pôr em causa o bom nome dos supostos violadores, atitude que mais confirma a falta de humildade e o carácter perverso daquelas crianças sem rumo;
    Segundo: Os caluniados – injustamente tratados por arguidos, designação que não faz jus ao seu estatuto social, à sua elegância e à sua eloquência -, não merecem o país medíocre e malsão que os viu nascer;
    Terceiro: Que todos os advogados de defesa, participantes neste processo, sejam de imediato incluídos na lista de condecorações a submeter ao próximo Presidente da República – e esperemos que, desta feita, a ingratidão e a pequenez intelectual de Portugal o não faça recusar aos seus melhores a honra da Torre e Espada.

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