Política

Afinal, não houve tempo…

Foi o que disseram os procuradores do Ministério Público que conduziram a investigação do Freeport. Não houve tempo, em seis anos e meio que durou a fase processual, para fazer umas míseras 27 perguntas a José Sócrates. E quais eram essas perguntas? O jornal “Público” revela, hoje, algumas delas e por aí percebe-se a complexidade dos problemas que este processo suscitou. Além disso, percebe-se também, a crer no que perguntam os procuradores, que nem tudo ficou bem esclarecido.Por isso é estranho este «canto de vitória” de Sócrates.

Os procuradores Paes de Faria e Vitor Magalhães escreveram no despacho final que, «após a análise do inquérito e compulsados todos os elementos que dele constam, verifica-se que, nesta fase, importaria, não obstante a ausência de qualquer proposta neste sentido por parte da Polícia Judiciária, proceder à inquirição do então ministro do Ambiente, actual primeiro-ministro, e do então secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, actual ministro da Presidência». Além das tais perguntas, conclui-se daqui que há outra pergunta por responder e que envolve, obviamente, a Polícia Judiciária.

E quais são então as outras perguntas? Aqui ficam algumas delas, transcritas pelo «Público», para que cada um pense pela sua cabeça:

“Confirma a recepção, na sua residência, de uma carta que lhe terá sido dirigida pelo arguido Manuel Pedro, tratando-o por “Caro amigo”?”; “Confirma ter havido um apoio efectivo da família Carvalho Monteiro [tio e primos de Sócrates] ao licenciamento do Freeport?”; “Encontra alguma explicação” para o teor das declarações produzidas nos autos por Hugo Monteiro (seu primo), segundo o qual a reunião promovida pelo pai com o então ministro do Ambiente “foi realizada e contribuiu decisivamente para o licenciamento” do Freeport?; “Encontra alguma explicação” para as declarações de Hugo Monteiro “no sentido de que, ainda antes da apresentação do projecto, foi ter consigo, a sua casa, na Rua Braancamp, em Lisboa, perguntando-lhe se não se importava que ele invocasse o seu nome, para prestigiar o projecto, ao que terá respondido afirmativamente?”; “Como explica o envio, através da conta de correio electrónico josesocrates@ps.pt, de uma mensagem de propaganda eleitoral ao arguido Charles Smith (charlessmith@mail.telepac.pt), sendo certo que o mesmo é de nacionalidade estrangeira e não inscrito nos respectivos cadernos eleitorais?”; “Confirma que, em Outubro de 2000, enquanto ministro do Ambiente, deu alguma orientação no sentido do ICN apresentar proposta” de alteração dos limites da ZPE [Zona de Protecção Especial] do Estuário do Tejo?; “Teve conhecimento da colaboração do arguido Eduardo Capinha Lopes nas campanhas eleitorais do PS para as autárquicas de 2001, nomeadamente em Grândola, Santiago do Cacém, Moita, Barreiro e Alcochete e, em caso afirmativo, se essa colaboração influenciou a sua escolha para o desenvolvimento dos projectos de arquitectura do complexo Freeport?”.

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