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Este país não é para velhos

Acaba de ser divulgado que o número de nascimentos de crianças portuguesas baixou da fasquia dos 100.000 no ano passado. Pela primeira vez desde que há registos estatísticos. A notícia passou discretamente e sem ter merecido grande destaque, mas é preocupante e merece a nossa atenção.

É na questão demográfica que reside grande parte dos problemas com que os portugueses se confrontam. Se não, vejamos. Em 1960 nasceram em Portugal 213.895 crianças, enquanto quase meio século depois, em 2009, esse número se ficou pelos 99.491 – uma diminuição de 53,5%. No mesmo período o número de óbitos manteve-se relativamente estável (de 95.007 em 1960 a 104.436 em 2009). Com a diferença radical de, em 2009 (e numa tendência iniciada em 2007) se registar um saldo natural negativo, com o número de óbitos a suplantar o dos nascimentos. A população portuguesa deixou de conseguir a sua renovação geracional.

Acrescente-se que, entre 1970 e os nossos dias, a esperança média de vida dos portugueses aumentou regularmente dos 67,13 até aos 78,88 anos. Também o número de pensionistas da segurança social e Caixa Geral de Aposentações cresceu sempre regularmente: 119.586 em 1960, 1.781.801 em 1980, atingindo os 3.423.946 em 2009. Infelizmente a população activa não cresceu na mesma proporção: entre 1980 e 2009 o aumento dos activos está estimado em 1.289.500. Segundo estes números cada pensionista é já suportado por 1,63 activos, num rácio que tem vindo a diminuir de forma constante.

É pois num panorama geral de envelhecimento da população que o país vai responder aos problemas. Uma resposta que está debilitada à partida. Não há renovação geracional e muitos jovens continuam a partir para paragens com mais oportunidades. Sem esses jovens e com a imigração que procura Portugal a diminuir (apesar de o saldo entre os estrangeiros que procuram Portugal e os portugueses que emigram ser positivo desde 1993, a partir de 2002 o número de imigrantes tem vindo a diminuir) o futuro não parece muito brilhante.

Se somarmos à questão demográfica a acentuada desertificação do interior teremos a verdadeira dimensão da “insustentabilidade” do país. Sem políticas activas orientadas para a natalidade (como para o interior) não se ultrapassará esta verdadeira questão estrutural. Se parte deste problema é “civilizacional – ou seja, as famílias querem o melhor para os seus filhos e estes tornaram-se o centro da vida familiar no contexto de uma sociedade de consumo – terão que ser o Estado e as empresas a avançar com medidas de estímulo. Apoio à infância e à maternidade, horários de trabalho adaptados, a rede de infantários e ATL´s a preços controlados, apoio às famílias nos custos com a educação (livros escolares e outros materiais).

É pois preciso que a questão demográfica seja considerada um PROBLEMA GRAVE.

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4 thoughts on “Este país não é para velhos

  1. Pingback: Que reformas para os portugueses? « Praça do Bocage

  2. Pingback: Nuvens na Europa para os emigrantes « Praça do Bocage

  3. Jacinto Leite Capelo Rego diz:

    Um artigo bem enquadrado na situação actual do país, e extremamente pertinente. Excelente artigo, um dos melhores artigos aqui publicados. De simples e acessível leitura.

    Muito bom mesmo, parabéns.

    Gostar

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