Política

A desonestidade do “Expresso”

Foto do Diário de Notícias Online

Não consigo compreender o que leva um jornal como o “Expresso” a noticiar, online, uma das maiores manifestações de sempre promovidas pela CGTP — na qual estiveram presentes representações, bem vistosas e originais, de dezenas de sindicatos — com uma foto dos deputados do Bloco de Esquerda presentes no desfile.

Não me parece, aliás, que exista critério, senão o da simpatia do editor do online do “Expresso” pelos bloquistas, que possa justificar a escolha daquela foto. Ou então, é ignorância pura e dura…

Numa manifestação com trezentas mil pessoas, que resulta do esforço de mobilização dos sindicatos da CGTP (onde, já agora, a presença de militantes do PCP é muito maior, pequeno detalhe que não interessa para nada ao “Expresso”) é, no mínimo escandaloso que este jornal de “referência” opte pela imagem dos deputados do BE, desprezando a presença dos sindicatos. Critérios são critérios, é certo, mas, num evento onde se afirma que estão trezentas mil pessoas e em que o número de participantes é o factor político fundamental, pelo que evidencia da força, ou fraqueza, do protesto, ilustrar tal iniciativa política com uma foto do pessoal do BE só pode ser mesmo um  caso de má fé e de oportunismo partidário de quem a escolheu. O mais óbvio seria a ilustração com uma imagem da enorme multidão que encheu a Avenida da Liberdade, porque essa, era, de facto, a notícia. Mais até do que o que foi dito por Carvalho da Silva. Mas, será que se quis esconder a notícia, manipulá-la, fazer um jeito aos amigos? Se não foi isto que se quis, parece…

Bem sei que os mais maldosos, neste ponto do texto, já estão a pensar que o que eu queria era que aparecesse o Jerónimo de Sousa. Mas estão enganados, embora, do ponto de vista jornalístico, até fosse mais adequado. Afinal de contas, a Comissão Executiva da central sindical até é maioritariamente composta por gente do PCP…

O PCP, é certo, tem uma mania da perseguição no que respeita aos media que é excessiva. É verdade que muitos dos males que os comunistas têm na relação com a imprensa são criados pela sua eterna incapacidade de compreenderem como funcionam os meios de comunicação social, os seus ritmos, os seus processos produtivos. Resultam da eterna visão conspirativa dos media, na qual toda e qualquer notícia menos simpática, ou a omissão de um evento do PCP, obedece a um plano elaborado por uma central de desinformação comandada pelo capital. Resultam, ainda, de uma inflexibilidade histórica no relacionamento com os jornalistas, alimentada pela visão orgânica do funcionamento das relações do partido com a comunicação social.

Não partilho desta visão. No entanto, opções editoriais como esta, do “Expresso”, evidenciam que, afinal, ainda que não exista a tal central de desinformação, existem fortes preconceitos na forma como os media lidam com os sindicalistas, com o PCP, com os comunistas em geral.

A fome que os jornalistas têm do que é diferente, engraçado, da história do homem que mordeu o cão, é doentia, excessiva e injusta.

Ainda há dias perguntei a um jornalista que cobriu a vinda de Jerónimo de Sousa a Setúbal para falar dos 35 anos das nacionalizações por que razão, na notícia que escreveu, não fez qualquer referência à questão das nacionalizações abordada numa sessão com centenas de pessoas pelo secretário geral do PCP. A resposta veio rápida: “epá, o gajo não disse nada de novo”. E será que não disse? Mas será que tinha de dizer, em especial quando se fala de nacionalizações ocorridas há 35 anos? E assim se omite a posição política de um partido em relação a uma questão que ganha nova centralidade na sociedade portuguesa, no momento em que se volta a falar da mais privatizações, em que a PT é alvo de fortes ataques externos.

O problema é que o preconceito já é tão forte que se parte imediatamente do princípio de que nada de novo é dito pelos comunistas. Mas o que haveria de se esperar de um partido que mantém uma base ideológica forte, solidificada e assumida há muitos anos. Que viesse agora dizer que o preto é branco e vice-versa? Aí sim, haveria notícia?

Não pode ser (sempre) esta a lógica dos media. É demasiado desonesto, assim como o foi a opção do editor do “Expresso” online, puxando para heróis da manifestação aqueles que menos se empenharam no seu sucesso.

Aqui, pode-se ver as imagens da verdadeira manif.

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