Política

Os Novos Pobres

O que vai ser desta gente! Menos cinco por cento nos seus ordenados mensais? Como compram o caviar e o champanhe? Vão cheirar mal sem dinheiro para as fragrâncias? Os iates vão ao fundo? As férias vão ser cá dentro, nos solares familiares?

O espectro das dificuldades paira sobre os nossos gestores! Para haver uma ideia dos apertos que se advinham aí vai uma lista dos ordenados mensais, sublinhe-se mensais, actuais e futuros de alguma dessa gente.

Fernando Pinto (TAP) – agora 420.000, no futuro 399.000 (menos 21.000)

Faria de Oliveira (CGD) – 371.000/352.450 (menos 18.550)

Guilherme Costa (RTP) – 250.040/237.538 (menos 12.502)

Fernando Nogueira (Instituto dos Seguros) – 247.938/235.541,1 (menos 12.396,9)

Carlos Tavares (CMVM) – 245.552/233.324,4 (menos 12.277,6)

Victor Santos (ERSE) – 233.587/221.907,65 (menos 11 679,35)

Amado da Silva (Anacom) 224.00/212.800 (menos 11.200)

Mata da Costa (CTT) 200.200/189.200 (menos 11.000)

Guilherme Rodrigues (ANA) 133.000/126.350 (menos 6.650)

Eis a selecção dos dez primeiros, excluído o governador do Banco de Portugal, que vai a caminho do BCE. São ordenados escandalosos, sobretudo quando se sabe que os gestores portugueses, públicos e privados, ganham, em média, mais 56,5 por cento que os suecos, mais 55 por cento do que os finlandeses, mais 32 por cento que os americanos. Isto num país em que os trabalhadores, os que não estão desempregados, ganham, em média, menos 55 por cento que os seus colegas do espaço europeu. Reduzir em cinco por cento essas remunerações é simbólico. Ao simbolismo soma-se a hipocrisia, já que, no mesmo dia, PSD e CDS  se abstiveram na votação em que se cria um novo escalão no IRS para matéria colectável superior a 150.000 euros (12.500 euros/mês). A vozearia do Passos Coelho a pedir desculpa aos portugueses é a mesma do Paulo Portas a indignar-se com o aumento dos impostos. Gritam acachapados atrás do biombo que o PS ergue para tapar uma política que os une, só uns quantos pormenores os separam, e que vai sempre aos bolsos de quem trabalha para beneficiar alguns, os de agora e de antigamente.

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3 thoughts on “Os Novos Pobres

  1. Pingback: Uma Afronta aos Portugueses « Praça do Bocage

  2. pwmasterovar diz:

    Veria com algum apreço caso fosse em vez de 5%, fosse 25% , aí chamaria isso de solidariedade nacional, patriótica… agora, desta maneira é tão só atirar areia para os olhos!
    Diabos os levem!!

    Gostar

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