Geral

A sensibilidade dos deputados

Lido no “Público” de hoje:

Interrogado sobre se considera aceitável a atitude de Ricardo Rodrigues de se apropriar dos gravadores dos jornalistas, Francisco Assis considerou que se tratou de “um gesto de quem estava profundamente indignado com a forma como a entrevista estava a ser conduzida”.
“É um gesto que qualquer um de nós poderia ter num momento de reação a quente e dominado por um sentimento de profunda indignação pelo tipo de interrogatório a que estava sujeito. Entendo que ninguém pode ser avaliado por uma reação quente num determinado momento”, reforçou Francisco Assis.

Ou seja, Assis concorda com o acto de Ricardo Rodrigues de roubar dois gravadores a jornalistas que o entrevistavam. Está, pois, aberto o precedente. No futuro, será normal ver deputados do PS a roubarem cameras de televisão a repórteres que os pressionem psicologicamente com perguntas incómodas; a roubarem microfones em pleno estúdio quando o jornalista perguntar algo que não se compadece com a condição psicológica e a sensibilidade do deputado ou, em última instância, em caso de entrevista pelo telefone, a arrancar os fios da parede, à falta de melhor, na esperança de que o equipamento de gravação venha agarrado aos fios. A coisa só se complica quando a entrevista se realizar por telemóvel.

No futuro, todos os deputados deste país que invoquem pressões psicológicas podem ser considerados inimputáveis e fazer o que lhes apetece. Na Assembleia da República, por exemplo, José Lello, em reacção ao repórter fotográfico que lhe fotografa o ecran do computador, puxará da caçadeira de canos serrados que herdou do avô e aplicará duas chumbadas ao pressionante fotógrafo que afecta a sua sensibilidade psicológica; Manuel Pinho deixará de optar pelos insignifcantes corninhos e fará de Bernardino Soares alvo para umas pedras da calçada que, previdentemente, arrancou do chão à porta de São Bento.

Em cada um destes episódios, Francisco Assis virá à sala de imprensa da Assembleia dizer que se tratou de “um gesto que qualquer um de nós poderia ter num momento de reação a quente e dominado por um sentimento de profunda indignação”.

Finalmente, a política substituirá as imagens de claques futebolísticas à porrada… Será bem mais interessante, não duvido.

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One thought on “A sensibilidade dos deputados

  1. FERNANDO CARVALHO diz:

    É PROVÁVEL QUE OS JORNALISTAS TENHAM FERIDO A SUSCEPTIBILIDADE DE SR. POLÍTICO. O SR. POLÍTICO TERÁ PRESUMIDO QUE SENDO POLÍTICO PODERIA FAZER O QUE QUISESSE ( EMBORA NÃO TENHA ERRADO POR MUITO). SAINDO EM DEFESA DO SR. POLÍTICO, O SR. FRANCISCO ASSIS MOSTROU DE QUE FIBRA É FEITO, ELE E A MAIORIA DOS POLÍTICOS QUE SE DEFENDEM UNS AOS OUTROS, OU SEJA, REVOLTAM-SE À VOLTA DO TACHO, CHEIO DE IGUARIAS DO POVO. O TACHO É DE TODOS MAS SÓ DESFRUTADO POR ALGUNS. FAZEMOS O SEGUINTE, TRATAMOS DE ARRANJAR MAIS TACHOS PARA OS “TACHISTAS”, PARA QUE TODOS ELES POSSAS SEGUIR COM O SEU TRABALHO, QUE MUITO LHE CUSTA FAZER, A ELES E AOS NOSSOS BOLSOS. JÁ AGORA, VAMOS OFERECER UM KIT DE JORNALISTA PARA O SR. DEPUTADO E POLÍTICO.

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