Geral

Sado/Arrábida, uma região?

Carlos Vieira de Faria é um sociólogo sobejamente conhecido pelos seus trabalhos sobre Setúbal, a cujo estudo se dedica há mais de trinta anos. Em boa hora entendeu a Câmara sadina convidá-lo para palestrar sobre o futuro de Setúbal, no âmbito das comemorações do 150º aniversário da elevação a cidade.

Vieira de Faria veio relembrar-nos o que já todos sabíamos: a gradual perda de importância de Setúbal no contexto regional e nacional. Perda política e económica mas, se calhar e mais preocupante, perda simbólica.

Todos sabemos que o distrito de Setúbal é uma realidade cada vez mais desconexa – aliás, há mais de uma década que os distritos estão para ser extintos. Os municípios alentejanos do sul do distrito há muito que optaram por se integrar nas estratégias para o litoral alentejano . Os concelhos ribeirinhos do Tejo mantém importantes interacções com Lisboa.

Já havíamos também percebido que o modelo das pré-regiões (NUT’s II) deixou Setúbal na periferia de “região” de Lisboa e Vale do Tejo, fazendo fronteira com o Alentejo, de que faz parte a metade sul do seu (ainda) distrito. Machadada de grande simbolismo e nefastos efeitos, pelo menos até à data, foi a extinção da Região de Turismo da Costa Azul e a delegação da nossa promoção turística numa agência com sede em Santarém.

Mas, voltando a Vieira de Faria, ele veio chamar-nos a atenção para o mapa de Setúbal. E pediu-nos que reparássemos nesse conjunto extraordinário formado pela Arrábida e pelo Sado. E lembrar-nos da histórica ligação com Palmela, com quem Setúbal já constituiu um concelho único. E aí temos uma pequena região formada pelos actuais concelhos de Setúbal, Palmela, Sesimbra a que podem ser associados outros concelhos do arco ribeirinho do Sado – Alcácer do Sal e Grândola. Um conjunto com cerca de 267.000 habitantes…

Não precisamos de muita imaginação para ver sinergias entre estas “terras”, tão próximas e tão historicamente ligadas. Claro que há que ter alguma imaginação para ultrapassar os circuntancialismos político-administrativos actuais, isto é, dificilmente deixaremos de estar integrados na “região” de Lisboa e Vale do Tejo. Mas poderemos avançar para outras formas de relacionamento com os municípios da Arrábida/Sado.

Uma discussão que deve começar a ser feita para reposicionar Setúbal no lugar que merece.

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