O SNS – Grande Conquista de Abril

De forma mais ou menos sub-reptícia e subtil vão destruindo o SNS: hoje um pequeno ataque, ali outro; desestruturando, desarticulando, desinvestindo, impedindo a contratação de técnicos e empurrando outros para a reforma/emigração, com contratos avulso de técnicos às empresas dos ”empreendedores”, acabando com urgências nocturnas e ao fins-de-semana de especialidades, concentrando estas em Lisboa, diminuindo o número de camas hospitalares, fechando serviços aqui e ali, criando dificuldades crescentes a técnicos, cada vez mais insatisfeitos e desmotivados, e aos utentes que vêem diminuir de forma drástica a acessibilidade aos cuidados de saúde.

Muitas da ditas reformas foram tomadas sem ter estudos sérios, rigorosos que demonstrassem a necessidade das mesmas. No fundo o que tem estado sempre por detrás, é a privatização, a mercantilização dos cuidados de saúde a favor dos grande grupos económicos os quais, a verdade seja dita, sem a ajuda do Estado, sem a mão benfazeja do Governo PDS/CDS nunca conseguiriam ter chegado onde estão, pois nem teriam engenho e arte para tal, vivendo do parasitismo estatal, gritando pelo estado mínimo para os que trabalham, tendo para eles o estado máximo através das parcerias público-privadas e de contratos que dão prejuízo ao Estado, recursos financeiros a serem canalizados de forma galopante dos bolsos dos contribuintes para os “pobres” bolsos deles sob a batuta esforçada do Governo PDS/CDS bem acompanhados pelo PS que agora apela falaciosamente à mudança.

Já várias vezes tinha alertado neste espaço para a possibilidade, para o perigo do CHS (Centro Hospitalar de Setúbal) ficar reduzido a uma mera Unidade Básica Hospitalar. Pois bem, o decreto agora publicado sobre as alterações da rede hospitalar vem colocar de forma cada vez mais real aquela possibilidade.

O Governo através do Ministério da Saúde vem dizer que não é para já, mentindo mais uma vez como sempre foi mentindo descaradamente ao povo.Porém, também bem ao jeito destes governantes sem vergonha, afirma que a hipótese não está afastada.

A concentração de especialidades no Hospital Garcia de Orta, medida que tem vindo a ser paulatinamente tomada, vai gerar desigualdades, aumentar as dificuldades de acesso, porque este Hospital há muito que está subdimensionado e incapaz de dar as respostas às necessidades da população. Além disso, sem transportes fáceis, sem recursos para recorrer a transportes privados, com o envelhecimento demográfico, com o empobrecimento crescente, podemos afirmar categoricamente que ao dificultar o acesso dos cidadãos aos cuidados hospitalares se está a configurar na prática uma negação do direito à saúde na nossa população.

O Hospital de Setúbal bem como o do Barreiro são imprescindíveis para garantir cuidados de saúde diferenciados onde, é claro, também tem lugar o Hospital Garcia da Orta. Não há qualquer justificação técnica ou económica para concentrar apenas num dos Hospitais as valências médicas diferenciadas desprezando, deitando para o lixo as capacidade já instaladas.

Para que o Cidadão esteja efectivamente no Centro do Sistema (como gosta de apregoar demagogicamente o Ministro da Saúde) exigem-se medidas assentes no desenvolvimento integrado e articulado dos serviços de saúde, visando uma diferenciação, o aumento de qualidade e a melhoria de acessibilidade.

A luta pelo Direito à Saúde é um imperativo de todos! A Saúde é um investimento e não uma despesa: investimento em bem-estar social (melhoria das condições de saúde, grau de satisfação das pessoas, inclusão social) económico (impacto no PIB , na produtividade, I&D) e mesmo cultural.

Nunca é demais afirmar que o SNS foi uma das maiores conquistas do 25 de Abril que nos ajudou a guindar ao estatuto de país desenvolvido no campo da saúde. Não se pode deixar que recuemos a 40 anos atrás.

VIVA O SNS!

VIVA O 25 DE ABRIL!

Por que Durão Barroso deve ser candidato?

39729_gaDe entre todos os candidatos a candidatos a Presidente da República, há um, à Direita, que tem a obrigação de se apresentar como tal. Chama-se Durão Barroso e é um dos mais lídimos representantes dos poderes que tem governado Portugal e a UE nas últimas décadas. Está na hora de os portugueses o avaliarem.

Prestes a regressar, após dez anos à frente da Comissão Europeia, adivinha-se-lhe que pretende um lugar à altura. Daí as suas recentes aparições no terreno. Percebe-se-lhe a necessidade de se “limpar” para ficar bem no retrato que prepara para os próximos capítulos e que deixará para a posteridade.

Por isso não hesita em recorrer à “artilharia” de que dispõe no cargo que ainda ocupa para fazer essa operação de limpeza perante o público nacional. Uma grande operação político-mediática que contou com a participação activa do Presidente Cavaco Silva e do Governo – não fossem todos eles da mesma família. E a que em sequer faltou uma grande entrevista ao semanário “Expresso”.

E porque deve ser ele o candidato da Direita? E será que se estaria a lembrar de si próprio quando propõe que o PS apoie esse mesmo candidato?

Em 2004 era D. Barroso primeiro-ministro quando os portugueses se começavam a adaptar ao homem que lhes anunciara que o país estava de “tanga”. E que lhes prometera que não haveria aeroporto da Ota enquanto houvesse uma criança numa lista de espera de um hospital. O mesmo homem que meteu Portugal na fotografia que marcou a decisão de atacar o Iraque por causa de umas armas de destruição maciça que nunca foram descobertas; com os tristes e dramáticos resultados conhecidos.

E o país lá se ia habituando ao homem.

Eis quando, em boa hora (para ele e quiçá para o país), trocou o lugar para que foi eleito pela maioria dos portugueses eleitores por um posto de “alto funcionário” nomeado pelas grandes potências europeias. Assim ficando bem patente a importância que o país lhe merecia. Convém recordar que outros primeiros-ministros em exercício recusaram o lugar, mas D. Barroso fazia saber que o país ficaria bem servido consigo a dirigir a Comissão Europeia. E muitos até acreditaram.

Com a anuência do então Presidente da República J. Sampaio, o lugar foi passado a um personagem não eleito para o cargo – Santana Lopes. Felizmente que Sampaio rapidamente se arrependeu do erro e convocou eleições.

Ocupado o lugar no olimpo europeu, D. Barroso dirigiu uma Comissão que perdeu em quase tudo o que havia para perder. A iniciativa da Comissão foi sempre obnubilada pelas iniciativas de outros protagonistas do firmamento da UE. O protagonista mais recente foi o BCE dirigido por M. Draghi com os seus programas de compra de dívida que inverteram o caminho de estouro do euro. Longe iam os tempos do prestigiado J. Delors.

Chegada a crise das dívidas soberanas e os “resgates” da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, a Comissão de D. Barroso foi sempre mais papista que os papas do FMI e do BCE. De entre os parceiros da troika foi a Comissão Europeia quem sempre primou por exigir mais austeridade em cima da austeridade. Cortes em cima de mais cortes. Que então foi esse português mais que um porta-voz da chanceler Merkel? Qual o seu contributo para proteger os portugueses da hecatombe que sobre eles se tem abatido?

Veio agora o “florentino” – como alguns dos seus admiradores lhe chamam – recordar que chamou três vezes V. Constâncio, então Governador do Banco de Portugal, para lhe perguntar sobre o que se passava no BPN. Se o regulador pecou por ausência, que fez ele, o “florentino”, então chefe do governo e líder da maioria, para investigar as suspeitas que já então se manifestavam?

Está pois na hora de os portugueses lhe fazerem algumas perguntas que ficaram por fazer. Por isso nada melhor que ser ele o candidato da Direita. Ou será que o “florentino” irá adiar o momento de glória a que julga ter direito por medo desse julgamento? Para já anda a apalpar o terreno.

João Abel Manta, Cronista de Abril

Image                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                JOÃO ABEL MANTA

Cartoonista de Abril

Exposição de Cartoons

12 de Abril a 10 de Maio

Setúbal/Galeria Municipal do 11

Terças a Sextas das 11h00 às 13h00

e das 14h00 às 18h00

Sábados das 14h00 às 18h00

Encerra aomingos, segundas e feriados

 

40 anos depois da Revolução de Abril, rever os  “cartoons” de João Abel Manta, é reviver alguns dos momentos fortes que balizaram a história daquele tempo que se viveu em aceleração apaixonada, entre o 25 de abril e o 25 de novembro,.

Naquele tempo radiografavam à velocidade do pensamento o que estava a acontecer, hoje são parte imprescindível da história da Revolução. Não perderem a ironia, feroz e subtil, com que João Abel Manta dissecava os sucessos desses dias, traçando um mapa que nos continua a orientar pelas estradas vertiginosas do que ficou conhecido por Processo Revolucionário em Curso-PREC.

Eram comentários urgentes e acutilantes, feitos em cima do acontecimento e o que era e continua a ser espantoso, é nunca perderem o norte e acertarem sempre no alvo com uma precisão tão rigorosa que só é comparável à certeza cinematográfica dos golpes de kung-fu.

Em João Abel Manta, a inteligência cortante, ancorada numa vasta e sempre actualizada cultura, distingue os seus “cartoons”, Desde os primeiros, publicados na revista de Arquitectura aos que se seguiram no Almanaque ou no suplemento literário do Diário de Lisboa ou nas ilustrações do “Dinossauro Excelentíssimo”,personagem que criou em parceria com José Cardoso Pires em que se retratava Salazar-o-Botas, parceria que continuou no “Burro em pé”, uma peregrinação pelas comarcas de Portugal em demanda dessa personagem difusa mas muito popular por essas paragens.

Arquitecto de profissão (um dos melhores conjuntos arquitectónicos de Lisboa, os blocos na avenida Infante Santo, são projecto que realizou com Alberto Pessoa e Hernâni Gandra) pintor e desenhador por vocação, cartonista por gozo pessoal e para nosso gozo, o traço, mesmo quando é grosso, é de um rigor deslumbrante e filia João Abel Manta entre os Bordalos, os Steinbergs, os Daumier ou os François, colocando-o como um dos melhores “cartoonistas” de todos os tempos

É evidente que não é indiferente ao risco dos “cartoons” o saber adquirido enquanto desenhador e pintor onde evidencia um conhecimento, um talento e uma originalidade que o destacam, mesmo quando deliberadamente procura um academismo palpável, para se demarcar de uma pintura que só existe como arte pelo que se diz sobre ela.

A história contemporânea de arte portuguesa, ensarilhada nas contradanças dos marketings mais diversos, não tem dado a devida atenção a este artista que ocupa um lugar destacado na pintura, no desenho, na ilustração, no cartoon, nas maquetas de cenários, na tapeçaria e na arquitectura. Raramente alguém verteu o seu talento invulgar por tão diversas áreas, realizando obras como, por exemplo, os cenários para Shakespeare, a tapeçaria que foi premiada e figura no salão nobre da Gulbenkian, as ilustrações da “Arte de Furtar” e “Quando os Lobos Uivam” ou as séries temáticas em que uma deslumbrante “Situação Shaskespeariana”, coexiste com outras notáveis “A Mulher e o Pássaro”, “Situação Teatral-Gaslight” “Santo Ofício” ou o desenho distinguido na II Exposição Gulbenkian ou o já referido bloco de habitações na avenida Infante Santo.

No ano passado, no âmbito de uma exposição dedicada a “Três Gerações Manta” em Cascais, mostrou as suas últimas pinturas, demonstrando, se ainda o fosse necessário, que é um dos melhores pintores contemporâneos, sendo de assinalar a enorme vitalidade, a extraordinária cultura deste octagenário príncipe da renascença que habita Portugal nos séculos XX e XXI e o ilumina com a arte e a inventiva do seu engenho.

Em Abril de 2014, há que lembrar que a história de Portugal entre Junho de 1969 e Novembro de 1975 pode sofrer um terramoto, pode ser objecto das melhores ou das piores reescritas, mas existindo os “cartoons” de João Abel Manta, a nossa memória e a memória do país está garantida pelo registo e o selo branco de um dos nossos maiores artistas.

Olhar hoje para os “cartoons” de João Abel é reviver um tempo que alguns de nós vivemos exaltantemente, mas é igualmente descobrir como o seu fazedor coloca o “cartoonismo” entre as artes maiores.

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Gente perigosa em Azeitão

Poderia dizer-se que o mais perigoso do projecto Azeitão+Seguro é a promiscuidade entre a associação «Azeitão no Coração» e a Freguesia gerida por eleitos de «Azeitão no Coração» e a falta de transparência na prestação de apoio da Junta para actividades da referida associação.

Poderia dizer-se que o mais perigoso do projecto Azeitão+Seguro é a forma populista e demagógica com que aborda as questões da segurança, promovendo um clima de suspeição e desconfiança.

Poderia dizer-se muita coisa, mas a questão central e o maior perigo é a total irresponsabilidade com que intervêm nesta área, com a cobertura de uma entidade pública, uma Freguesia.

Numa sociedade civilizada as questões relacionadas com a segurança devem ser alvo de análises sérias e rigorosas, protegidas de sentimentos irracionais e perigosos fanatismos securitários.

Muitos foram e são os movimentos fascistas, de sectores vários da extrema-direita e populistas que exploraram e exploram sentimentos de insegurança das populações, fomentando o medo, instigando ódios contra o diferente, o estrangeiro, o estranho, o desconhecido.

Os sectores mais reaccionários da direita portuguesa insistem, perante alguns fenómenos e expressões de criminalidade, em erguer cidades rodeadas de arame farpado, na vídeo-vigilância, na criação de milícias que colocam cidadãos a vigiar os passos de outro cidadãos.

Em Azeitão, este projecto Azeitão+Seguro, mesmo partindo de reais problemas de segurança, opta pela postura irresponsável, pelo semear da desconfiança, pelo apelo à justiça popular, pelo pôr em causa o papel das forças de segurança, continuando a revelar o que representa no plano político e ideológico a tal associação «Azeitão no Coração» e as suas práticas cada vez mais coladas a uma certa direita trauliteira.

O espírito de missão, à semelhança de uma milícia popular, é tão grande que nem se dão conta do ridículo papel a que se prestam ao dar coordenadas de GPS de zonas de consumo e tráfico de estupefacientes, quando alertam para o rapaz que brinca com dois cães ou para o carro de matrícula estrangeira, como se pode ver nos exemplos seguintes.

O ridículo seria o menos e até daria para uma boa gargalhada, não fosse ser extremamente perigoso e imprudente o que andam a semear.

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Ilustres setubalenses – Luísa Todi

No âmbito de um trabalho entre as disciplinas de História e Geografia de Portugal e de Português e em parceria com o museu do trabalho de Setúbal, foi apresentado aos alunos do 5.º ano da escola Luísa Todi, uma pequena biografia de Luísa Todi, a cantora na sua época e a sua ligação a Setúbal.
O museu do trabalho realizou e representou a peça de teatro “Luísa Todi apresenta-se”.
Para situar a cantora no tempo e a ligar à história de Setúbal, fiz este pequeno vídeo para os alunos e que aqui partilho.