O fantasma que ainda não entrou pelas portas do Campus da Justiça

fantasma

Depois do BES, dos VISTOS GOLD e do caso José Socrates,, de todo o aparato que tem rodeado esses casos, de toda a excitação que percorre de norte a sul o país,esperamos que a justiça continue muito activa e que abra, finalmente, as portas para entrar a sexta pessoa que recebeu comissões dos submarinos, além dos 5 milhões de euros que terão ido parar a contas dos membros do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo (GES), e que saiu dos 30 milhões, parte da fatia da comissão paga à Escom por serviços de consultoria prestados ao consórcio alemão.

Quem será esse fantasma que continua a ensombrar a justiça no caso dos submarinos?

Caso dos submarinos que tem a particularidade de alemães estarem presos por pagarem “luvas” e em Portugal nem estar preso por as ter recebido.

Façam o favor de abrir as portas do Campus da Justiça para o fantasma as franquear e ter finalmente nome!

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John McCain, O Estado Islâmico, O Comentário de um leitor

McCain

Li no meu “smartphone” um comentário de Manuel Rodrigues ao meu post “O Califado Islâmico e os Estados Unidos da América”. Queria-o aprovar para lhe responder. Por um lapso e pouca destreza nessas manipulações, são dois “botões” Aprovar/Spam,contíguos, carreguei em spamj. Apaguei, contra vontade, o comentário de Manuel Rodrigues. Tentei em vão recuperá-lo. Por outras actividades fui adiando a resposta que, hoje faço por considerar importante esclarecer alguns pontos.

O comentário de Manuel Rodrigues, cito de memória,me cingindo-me ao essencial do seu comentário tem dois pontos centrais:

1- Michel Chossudovsky, seria um louco com a mania da perseguição e por isso foi demitido da universidade

2- A foto que anexei de John McCain, em que também figurava Abu Bakr al-Baghdadi, o actual proclamado Califa do Estado Islâmico era uma hoax, pelo que eu deveria ter , no futuro cuidado com as minhas fontes de informação.

  1. Michel Chossudovsky, foi demitido da Universidade onde ensinava por causa de se opor ao pensamento dominante nas suas múltiplas faces e intervenções, não por ser louco” nem ter “a mania da perseguição”. È por essa ser a prática comum, normal, regular das universidades norte-americanas e canadianas, quando se ultrapassam as linhas consideradas admissíveis, pela “democracia”, num determinado momento histórico. Alain Badiou, num seminário sobre Platão, na École Normale Superieur, em 2008, fez uma interessantíssima consideração sobre esse tema:”O objectivo da propaganda inimiga não é aniquilar uma força existente (função que em geral é confiada às forças da polícia) mas antes aniquilar uma possibilidade desapercebida da situação”. Por isso a propaganda inimiga de uma política emancipatória ou que ponha em causa alguns dos seus aspectos estruturais , que coloquem em questão as suas acções, as suas estratégias que visam perpetuar o eatado das coisas, uma convicção resignada de que o mundo em que vivemos, sem ser o melhor dos mundos, é o único possível. Quando se ultrapassam as linhas demarcadas, põe-se em marcha sistemas de força, em último recurso o uso das forças policiais. Quando consideraram que Michel Chossudovsky tinha ultrapassado o ponto em que já não era só perigoso quanto baste, demitiram-no, o primeiro passo da intimidação. O processo é conhecido, lembre-se Norman Finkelstein, também professor emérito, demitido da universidade onde ensinava, State University of New York por ter enfrentado o poderosíssimo lobie judaico dos EUA, publicando o livro “ A Indústria do Holocausto- Reflexões sobre a Exploração do Sofrimento dos Judeus”. Filho de sobreviventes do gueto de Varsóvia e dos campos de concentração nazis, anti-sionista convicto, faz uma fundamentada denúncia dos mecanismos de que os sionistas se servem para retirar proveitos tanto económicos como políticos. do Holocausto. É mais um judeu a quem a direita, a extrema direita judaica e os seus aliados não perdoam, como não perdoaram a Hanna Arendt e a Michel Chossudovsky. Uma longa linhagem de académicos, jornalistas, políticos que o Império e seus aliados pretendem silenciar, usando dos arsenais de que dispõem, usando-os nas doses que consideram necessárias em cada caso.

    Manuel Rodrigues deveria ler “Globalização da Pobreza” de Michel Chossudovsky. Leia a entrevista que deu ao I avisando para os perigos de uma 3ª guerra mundial. Verá que louco não tem nada. Agora, até Paul Craig Roberts, antigo membro do governo Reagan, considera a 3 ª Guerra Mundial, uma possibilidade real. Mais real, quando o dólar perde terreno aceleradamente. Na última semana mais um país deixou de comerciar com a China em dólares, a Alemanha. A lista começa a ser extensa e a atingir insuspeitos países. O desmoronar do império , assente no petrodolar, no dolar como moeda de troca e de reserva mundiais, está cada vez mais iminente. Demorará anos, quantos será díficil prever. Só que o império é a maior potência militar, dispondo de uma extensa rede de bases militares espalhadas por todo o mundo.

  2. As minhas fontes de informação são variadas. Achei interessante e bem sintetizada a situação nos 26 pontos em que por Michel Chossudovsky as fixou. Acabam por estar todos contidos nos artigos publicados no The Independent de Robert Fisk, provavelmente o mais bem informado jornalista e comentador político em questões do Médio Oriente. Não sei se algum daqueles pontos lhe merece contradita, ou mesmo todos, o que se pode pressupor do modo como classifica o autor, arrumando de uma penada o assunto.

  3. A foto de John McCain, não foi logo denunciada como uma montagem. O primeiro passo foi o do senador, meios próximos do senador, alegavam que nessa e outras fotos, como outra onde figura Mohammad Nour,, da Frente Tempestade do Norte ,da Al-Nosra, a Al-Qaeda da Síria, se terem infiltrado e John McCain não os conhecia. Vamos admitir que essa versão é verdadeira. John McCain poderia não os conhecer mas as fotografias foram publicadas na sequência de reuniões com o estado maior do Exército Sírio Livre (ESL) organizadas pela Syrian Emergency Task Force (SETF), curiosamente uma organização sionista dirigida por um funcionário palestino Mouaz Moustafa, um perito do Washington Institute for Near East Policy, uma das várias organizações criadas AIPAC, o lobie pró-israelita nos EUA.

    John McCain foi, ilegalmente à Síria, a convite SETF, reuniu-se, nos arredores de Idleb, em 27 de fevereiro o estado-maior do chamado Exército Sírio Livre. O comandante era o general Salim Idriss, um dissidente do regime de Assad. Nessa altura faziam parte desse estado- maior, o braço sírio da Al Qaeda e do EIL. Todos figuram nessa fotografia agora “denunciada” como montagem. O que seria muito estranho é que os membros do estado-maior do Exército Sírio Livre não participassem nessa reunião. John McCain, na sequência dessa reunião afirmou que os responsáveis do Exército Livre da Síria, “eram moderados em que se podia confiar”(…)”a organização era composta exclusivamente por sírios, que combatiam pela liberdade contra a ditadura alauíta”. Isto numa altura em que já era claro que brigadas de jihadistas, cometiam barbaridades na luta contra as forças governamentais da Síria.

    Refira-se que, embalados pelo apoio e financiamento dado pelos EUA directa e indirectamente ao Estado Islâmico, a Arábia Saudita, segura, forte e antiga aliada dos EUA na região, reivindicou, no seu canal público de televisão, Al-Arabiya, que o Emirado Islâmico estava colocado sob a autoridade do príncipe Abdul Rahman al-Faisal, irmão do príncipe Saud al Faisal (Ministro dos Negócios Estrangeiros) e do príncipe Turki al-Faisal (embaixador saudita nos Estados Unidos e no Reino Unido). Agora também se demarcam.

    Sublinhe-se que um mês antes, Ibrahim al-Badri, com o nome de guerra Abu Bakr al-Baghadi, tinha criado o estado Islâmico do Levante (EIIL) , continuando a pertencer ao “muito moderado” estado-maior do Exército Sírio Livre. Sublinhe-se também que desde 4 de Outubro de 2011, Ibrahim al-Badri, também conhecido por Abu Du’a, figura na lista dos cinco terroristas mais procurados pelos EUA, que ofereciam uma recompensa de 10 milhões de dólares a quem ajudasse à sua captura. Nem o Exército Sírio Livre, nem a Syrian Emergency Task Force, nem o senador nem os seus acompanhantes reclamaram a recompensa. Pelo contrário cosnspiravam contra o regime sírio com esse membro efectivo do “muito moderado” estado maior do ESL.

    Mais tarde, John McCain numa entrevista à Fox News admite estar em permanente contacto com as forças que combatem Bashar al-Assad. nomeadamente o EILL. Dá o exemplo da sua experiência no Vietname, para reforçar a ideia que se deve continuar a apoiar todas as forças rebeldes no terreno, que lutam contra a República Síria. Será uma montagem da Fox News?McCainObama

  4. John McCain, candidato derrotado por Obama em 2008, agora como seu opositor, tem a melhor cobertura que poderia ter. Continua a viajar por todo o mundo, excepto países onde por causa das suas actividades a sua entrada está interdita trabalhando de facto como um agente da política de Washington. É o homem político dos EUA que mais viaja. Está em todas, seja na Venezuela num falhado golpe de estado contra Hugo Chavez, na Ucrânia com um bem sucedido golpe de estado contra Vytor Yanukovych, seja nas “primaveras árabes”

    É presidente do International Republican Institute (Instituto Republicano Internacional-ndT) (IRI), uma ONG que é o ramo republicano do NED/CIA , desde Janeiro de 1993. Essa pretensa «ONG» foi criada, oficialmente, pelo presidente Ronald Reagan para alargar certas actividades da CIA, em cooperação com os serviços secretos britânicos, canadianos e australianos. Contrariamente às suas alegações é, de facto, uma agência inter-governamental. O seu orçamento é aprovado pelo Congresso, numa rubrica orçamental dependente da Secretaria de Estado Homem sem escrúpulos, e um consumado manipulador, Se os seus interlocutores aprovam as políticas da Casa Branca, promete-lhes auxílio, se as combatem, atira as responsabilidades para cima do presidente Obama.

    A sua ligação à Síria, não sendo recente, tem um ponto próximo importante em 4 de Fevereiro de 2011 quando se reuniu, no Cairo, para apoiar o eclodir das primaveras árabes na Líbia e a Síria. Foi um dos destacados participantes nesse encontro, presidindo a algumas sessões desse simpósio. Entre outros destacados participantes estava Mahamoud Jibrill, antigo número dois do governo de Kadhafi, e uma larga delegação da oposição síria no exílio.

    A 22 de Fevereiro estava no Líbano com membros da Corrente do Futuro, partido de Saad Hariri que encarregou de supervisionar as transferências de armas para a Síria. Foi inspeccionar a fronteira libanesa-síria. Escolheu Ersal e algumas outras aldeias para servirem de base da retaguarda da guerra que se ia desencadear.

  5. Nos tempos mais próximos o califado apelida o senador McCain de “inimigo” e “cruzado”. O senador contra atacou rapidamente, publicando um comunicado em que qualifica o Emirato de ser “o mais perigoso grupo terrorista do mundo”. Dessas cambalhotas John McCain tem vasta experiência. Ontem inimigos, hoje amigos, amanhã, novamente inimigos, depois de amanhã logo se verá.

    No Cairo, a regar e adubar as primaveras árabes, também esteve reunido com dois membros do International Republican Institute, John Tomalaszewki e Sam LaHood, que tiveram que se refugiar na embaixada dos EUA acusados de pertencerem ao comité, em que participavam os Irmãos Muçulmanos, que preparou o golpe que derrubou Hosni Mubarak. Foram libertados por Mohamed Morsi, quando este se tornou presidente e antes de ser preso e dos Irmãos Muçulmanos serem agora podados de terroristas. Não conhecemos nenhuma declaração de John McCain declarando os Irmãos Muçulmanos terroristas.

    A galeria entretém-se com estes inquietantes espectáculos públicos e gratuitos que levantam nuvens de areia para os palcos onde movem os peões dos tabuleiros geo estratégia do império que não têm quaisquer escrúpulos ou ética.

A alternativa existe

alternativa

No âmbito da discussão do Orçamento de Estado para 2015, o Governo e a maioria PSD-CDS, já em clima de pré-campanha, anunciam que este é o OE da viragem, amigo das famílias, preocupado com a justiça social, com o crescimento e o relançamento da economia nacional.

No entanto, este discurso não coincide com as opções do Governo.

Se, como PSD e CDS dizem, o País está melhor, como é que se explica que insistam nas medidas de empobrecimento dos trabalhadores e do povo, de destruição dos serviços públicos e agravamento das desigualdades?

Porque apresentam um OE que agrava a dívida, renova cortes e congelamentos de salários e pensões, agrava a injustiça fiscal sobre quem trabalha e reduz impostos às grandes empresas, destrói serviços públicos e continua a entregar empresas públicas aos interesses privados?

A resposta a estas questões é simples: o Governo PSD-CDS insiste na sua opção de classe, não procura, nem está interessado em soluções para os problemas do país, está mais preocupado em agradar e servir os interesses dos grandes grupos económico-financeiros.

Se as suas preocupações fossem outras, estariam atentos e discutiriam de forma séria e honesta as propostas alternativas que o PCP apresentou, designadamente, em matéria fiscal.

Na proposta fiscal avançada pelo PCP, propõe-se corrigir o peso excessivo dos impostos que recaem sobre os rendimentos do trabalho e sobre o consumo das famílias. Em compensação, eleva-se a tributação dos rendimentos do capital e dos consumos de luxo, avançando com a criação de novos impostos sobre os negócios da especulação financeira e os grandes patrimónios mobiliários (acções e títulos financeiros). Seguem-se, a título de exemplo, algumas medidas que integram a proposta do PCP.

Em sede de IRS: aumentar o número de escalões, diminuindo a taxa nos escalões mais baixos e intermédios e criando um novo escalão para rendimentos muito elevados;  eliminar a sobretaxa extraordinária.

Em matéria de IVA: a redução da taxa normal do IVA, de 23 para 21 por cento e o alargamento da taxa reduzida e da taxa intermédia, aplicando-as a mais bens e serviços essenciais, incluindo o gás e a electricidade.

Relativamente às micro, pequenas e médias empresas: eliminar gradualmente, até 2017, o pagamento especial por conta; reduzir a taxa nominal de IRC para 12,5%; alargar o regime simplificado a todas as micro-empresas; reduzir para 13% a taxa do IVA na restauração.

O PCP propõe, ainda: tributar o património mobiliário e as transacções financeiras; repor a taxa nominal de IRC em 25% e criar uma taxa mais elevada para as grandes empresas; apurar a taxa de IRC a partir dos resultados contabilísticos, e não do «lucro colectável»; eliminar os benefícios fiscais associados ao offshore da Madeira; acabar com a isenção de 50% no IMI para fundos de investimento imobiliário; criar uma taxa de IVA de 25%, aplicável a bens e serviços de luxo.

Como se prova existe alternativa, existe um caminho patriótico e de esquerda apto a superar a crise e a melhorar as condições de vida dos portugueses, a acabar com injustiças e desigualdades e promover o crescimento económico.

O Governo, o PSD e o CDS, preferem prosseguir o caminho do empobrecimento do País e do enriquecimento dos grandes grupos económicos e financeiros.

Publicado no Jornal O Setubalense, edição do dia 19-11-2014

O CALIFADO ISLÂMICO e os ESTADOS UNIDOS da AMÉRICA

Michel Cossudovsky, Professor Emérito da Universidade de Otava, Canadá, destacado economista, escritor e investigador, professor convidado em universidades de todo o mundo, conselheiro de governos de países em desenvolvimento é, desde 1999, um activo participante na Fundação Transnacional para a Luta pela Paz. Em 2001 fundou o Centro de Investigação da Globalização (CIG). Em Portugal tem um livro editado A Globalização da Pobreza, a Nova Ordem Mundial.

Agora, no âmbito da sua actividade no CIG, publicou na página da internet desse instituto um estudo sobre a relação entre o Estado Islâmico (EI) e os Estados Unidos da América (EUA), que sintetizou em 26 itens-conceitos, em que expõe com clareza os factos que fundamentam a sua opinião

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O ESTADO ISLÂMICO (EI)

  1. A Al Qaeda e as organizações a que deu origem, foram apoiadas pelos EUA durante quase quarenta anos, quando se iniciou a guerra afegã-soviética (1979-1989)

  2. num período de dez anos, entre 1982-1992, crca de 35 000 jihadistas, oriundos de 43 países, foram recrutados para a jihad afegã e trinados nos campos de treino da CIA no Paquistão. Milhares de anúncios, pagos pelos EUA, foram colocados em meios de comunicação social de todo o mundo, motivando os jovens para a jihad.

  3. A universidade de Nebraska (EUA) publicou livros de promoção do jihadismo, que foram distribuidos nas escolas do Afeganistão, daquela época

  4. Osama bin Laden, o terrorista “número 1” para os EUA, foi recrutado pela CIA em 1979, quando se iniciou a guerra jihadista patrocinada pelos EUA contra a União Soviŕtica no Afeganistão.Teria 22 anos quando terminou o seu treino no campo de guerrilhas da CIA

  5. Ronald Reagan, quadragésimo presidente dos EUA, chamou aos terroristas da Al Qaeda de “combatentes da liberdade”. O governo dos EUA forneceu armas às brigadas islâmicas para a sua luta contra a União Soviética. A mudança de regime no Kremlin, levou ao fim do regime secular no Afeganistão.

Reagan

Ronald Reagan reunido com os “combatentes pela liberdade”antes de serem “terroristas” parsa voltarem a ser “combatentes pela liberdade” e novamente “terroristas” e novemente…

  1. O Estado Islâmico (EI)começou por ser uma entidade filiada na Al Qaeda, criada pelos serviços secretos norte-americanos, com ao apoio do MI6 britânico , a Mossad israelita e os serviços secretos do Paquistão e da Arábia Saudita.

  2. As brigadas do EI pariciparam com o apoio dos EUA e da NATO na guerra civil na Síria contra o governo de Bashar al Assad.

  3. A NATO e altos funcionários turcos foram os responsáveis pelo recrutamento dos militantes do Estado Islâmico e da al-Nusra(grupo radical islâmico) desde o inicio do conflito na Síria em 2011.

  4. Nas fileiras do EI há uma representação do exército e dos serviços secretos ocidentais. Por isso o MI6 britânico participou no treino dos rebeldes em território sírio.

  5. Num noticiário da CNN de 9 de dezembro de 2012, um alto funcionário dos EUA e vários diplomatas de topo, admitiram que os EUA e alguns aliados europeus enviaram militares especializados em armas químicas, para treinarem os rebeldes sírios a usarem as armas quimicas dos arsenais da Síria.

  6. A prática do EI de decapitações faz parte do treino e dos programas de treino dos jihadistas por especialistas da Arábia Saudita e Qatar

  7. Ã Arábia Saudita, aliado de primeira linha dos EUA, libertou das suas prisões milhares de condenados com a condição de se juntarem às fileiras da EI, pra lutarem contra Assad na Síria.

  8. Israel apoiou as brigadas do EI e da al-Nusra nos Montes Golã, um território disputado pela Síria e por Israel (que o ocupou de pois da guerra dos seis dias). Em fevereiro de 2014, o primeiro ministro israelita, Benjamin Netanyahu, visitou um hospital na fronteira e apertou as mãos de rebeldes sírios feridos.

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O primeiro-ministro israelista Benjamin Netanyahu desejando as melhoras a um “terrorista”quando  voltou a ser um “combatente pela liberdade”

SÍRIA e IRAQUE

  1. O EI funciona como guarda avançada militar dos interesses dos EUA e seus aliados, provocando o caos político e a destruição económica da Síria e do Iraque

  2. O actual senador dos EUA John Mccain teve uma reunião com os líderes terroristas jihadistas militantes do EI, na Síria.

  3. O Estado Islâmico, que supostamente resiste aos bombardeamentos da coligação liderada pelos EUA, continua a receber ajuda militar secreta dos EUA

  4. Os bombardeamentos dos EUA e seus aliados têm sido mais dirigidos às infraestruturas económicas, particularmente fábricas e refinarias petrolíferas.

  5. O projecto do Califado integra-se perfeitamente na agenda da política externa dos EUA, que desde há muitos anos tem o objectivo de retalhar o Iraque e a Síria, em três territórios separados, uma República Curda, um Califado Islâmico Sunita e uma República Xiita.

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O senador John McCain, em 2012, reuniu-se na Síria com os “combatentes pela liberdade”,dando-lhes total apoio. Entre eles Abu Bakr al-Baghdadi, antes de ser proclamado califa.O apoio do senador deve ter sido decisivo para esse”combatente pela liberdade” assumir esse cargo de um estado, por enquanto, “terrorista”

A GUERRA CONTRA O TERRORISMO

  1. A guerra contra o terrorismo, uma campanha iniciada em 2011 pelos EUA e outros membros da NATO apresenta-se como um “choque de civilizações”, quando na realidade persegue objectivos económicos e estratégicos.

  2. Os EUA apoiou secretamente entidades filiadas na Al-Qaeda no mMédio Oriente, África Sudsahariana e Ásia para criar conflitos internos e destabilizar paises independentes

  3. Entre esses grupos estão o Boko Haram na Nigéria, o Grupo de Combate Islâmico na Líbia, o Jemaah Islamiya na Indonésia

  4. As organizações filiadas na Al Qaeda na região autónoma de Xinjiang Uigur na China, também recebem apoio norte-americano. O objectivo declarado das organizações jihadistas é estabelecer um califado islâmico no oeste da China.

  5. O paradoxo consiste em que enquanto o EI cresceu graças ao apoio norte-americano, o objectivo estratégico dos EUA, é a luta contra o islamismo radical do grupo jihadista.

  6. A ameaça terrorista é uma criação puramente dos EUA, promovida por outros governos ocidentais e pela comunicação social. O suposto objectivo da protecção da vida dos cidadãos, promove uma violação maciça das libardades civis e da privacidade pessoal.

  7. A campanha antiterrorista contra a Al Qaeda e o Estado Islâmico tem contribuído para a demonização dos muçulumanos que são associados às inomináveis crueldades dos jihadistas

  8. Quem questionar a “guerra contra o terrorismo” é declarado terrorista ao abrigo das numerosas leis aprovadas na úlktima década nos EUA.

Al(l)egro ma non troppo

Alegro-Setubal-renders

Na semana passada foi inaugurado um novo centro comercial em Setúbal.

Tal facto, não constituiria notícia relevante se o país não vivesse a crise actual, com a consequente retracção no investimento privado e se não acontecesse em Setúbal.

A inauguração do Alegro Setúbal inundou as redes sociais de comentários, nos cafés, nas empresas, nas escolas, não se falou de outra coisa e na comunicação social teve lugar de destaque.

Foram ouvidas opiniões para todos os gostos: é muito pequeno, para uns, muito grande, para outros; vai dar cabo do que resta da baixa comercial, para uns, é uma oportunidade para a baixa, para outros; é um mamarracho, para uns, é uma centralidade renovada e bem inserida na malha urbana, para outros… enfim, opiniões que se não valerem para mais, servem para interessar e envolver as pessoas na discussão sobre a vida e a construção da cidade.

No entanto, para lá das opiniões, existem dados que parecem ser objectivos e contrariam as teses daqueles que se limitam a confundir os seus desejos com a realidade.

A abertura deste centro comercial revela, uma vez mais e apesar das dificuldades que o país atravessa, que Setúbal consegue atrair investimento, gerador de emprego e dinamizador da economia, numa lógica de planeamento municipal capaz de estruturar a cidade e o seu desenvolvimento.

É claro que isto não é coisa fácil de reconhecer por aqueles que sustentam outros projectos políticos e são responsáveis pelo estado a que o País chegou e insistem na política de empobrecimento dos trabalhadores e do povo português, exemplo disso, é a extraordinária opinião de João Veigas, deputado do CDS-PP, que não podendo continuar a sustentar a tese da ausência de estratégia da CDU ou de que os comunistas afugentam o investimento privado, diz a seguinte coisa:

«Nunca é demais repetir, principalmente aos eleitores do PCP, que se Portugal fosse governado seguindo as políticas deste partido, dificilmente estaria a ser inaugurado um novo centro comercial em Setúbal e os restantes existentes no distrito, também não existiriam».

Esqueceu-se de dizer que no Portugal governado pelo PCP até as escovas de dentes são partilhadas por todos, porque, à falta de propriedade privada, no socialismo é assim.

Se fosse um exercício de comédia, seria de má qualidade, quanto muito daria para esboçar um sorriso.

No entanto, pelo tom, parece ser coisa séria, reflexão profunda e elaborada, é o chamado raciocínio Allegro ma non troppo, é toda uma filosofia condensada num andamento, pois não existem condições para mais.

Arte como Forma de Intervenção Política na Obra de Jorge Vieira

Jorge Vieira

Dia 16 de Dezembro Jorge Vieira, se fosse vivo, faria 92 anos. A Casa Museu Jorge Vieira, em Beja, inaugura uma exposição que assinala essa data e, simultaneamente, encerra um ciclo de exposições comemoratyivas dos 40 anos do 25 de Abril. A exposição, organizada pela escultura Noémia Cruz, tem por tema A Arte como Forma de Intervenção Política na Obra de Jorge Vieira. Honrou-me com o pedido dfe um texto para o catálogo, em nome da nossa grande e extensa amizade. O prazer seria imenso e total se ao entrar na Casa Museu Jorge Vieira, lhe desse um abraço como tantas vezes aconteceu. Ao Jorge e à Noemia ergo o meu copo transbordante de boas memórias.

Monumento ao Preso Político Desconhecido, Jorge Vieira

JORGE VIEIRA
A ARTE SEM LEI DA GRAVIDADE

Nos anos 60, numa reunião da associação de curadores dos EUA, nas conclusões finais fizeram esta declaração: “Não compramos arte que se reporte a política, sexo e religião”. De uma penada, atiravam para o lixo uma interminável lista de séculos de obras primas da pintura e escultura.

Essa gente tinha e tem forte poder económico.. São mediadores de grandes compradores num dos maiores mercados de arte o que, nos tempos que correm, constrói o gosto dominante medido pela bitola das variáveis da bolsa

A consigna não tinha nada de inocente. Inscrevia-se na guerra fria cultural, com a organização, não declarada, de uma espécie de NATO das artes.(*) Procurava, procura firmar o axioma da absolutização e exclusividade da criatividade formal. Uma cruzada para restituir a arte à arte, liberta da ganga política, sexual e religiosa. O triunfo da pintura-pintura, da poesia-poesia,da música-música, do romance-romance, etc. Inscrevia-se, inscreve-se esse totalitarismo artístico e estético num princípio de fé burguesa que faz por esquecer, querendo-nos fazer-esquecer o que Georges Orwell escreveu: “Para sermos corrompidos pelo totalitarismo, não temos de viver num país totalitário.” .

Execravam todas as obras de fundo realista, sobretudo as que tivessem objectivos políticos e sociais, próximos ou longínquos. Colavam-lhe uma etiqueta com o aviso que, por aqueles trilhos não não seria possível produzir “arte boa”. Pois não, nem sempre seriam obras de arte maiores, tal como as obras detergentadas de qualquer carga política, religiosa ou sexual não são necessariamente “arte boa”.

Tudo isto se inscrevia e inscreve numa estratégia muitíssimo mais profunda do forte investimento do capitalismo nos bens imateriais, para travejar o estado pós-moderno. (**) O alvo é retirar à cultura a fulguração ideológica. Privatizar a utopia transformando-a numa sublime inutilidade. Oferecer à sociedade as ferramentas da alienação global, para que seja aceite voluntariamente, À arte dá-lhe a saída dos formalismos, do trabalho sobre a forma e o corpo, que, não por acaso, acaba sempre por cumprir o destino histórico: da utilização publicitária da forma.

A meta é integrar a arte no processo de imposição de uma nova ordem económica que tem por fim a conquista do mundo pelos mercados. Por mega-pólos do mercado que não estarão sujeitos a controlo algum, excepto os da lógica do investimento que comandam o mundo a partir de centros de poder abstractos. Uma nova ordem fanática e totalitária que está em marcha e nos ameaça, destruindo conquistas sociais,económicas e políticas

Para essa nova ordem são de importância equivalente o controlo da produção de bens materiais e o de bens imateriais. É central a construção de um imaginário global, com os meios da cultura mediática de massas e uma arte em que mesmo a forma pode ser substituída por uma ideia, a personalidade do artista transformada numa marca garante do valor da mercadoria. Arte que não conhece fronteiras e é progressivamente empurrada para o nicho de mercado dos bens de luxo.

Que têm estes considerandos a ver com Jorge Vieira? Têm tudo!

Se procurarmos um artista em Portugal que se distanciou de qualquer lógica de mercado, que lia com ironia inteligente a crítica de arte e que provocava, sem ter isso por objectivo, os olhares e as cabeças, abrindo-as para absorverem a lucidez de que as suas obras estão impregnadas, Jorge Vieira é obviamente o artista que nos surge na linha da frente. Muitas vezes solitário por, em toda a sua vida ter sido de uma coerência e de uma persistência ímpares.

Esta exposição mostra a sua obra a que se pode intitular de política por ter sido feita com esse propósito, por encomenda do seu Partido (oh! Maldição obra por encomenda? Que perversão! Onde já se viu análogo desaforo? Sei lá, talvez Michelangelo, Rafael, Bernini, a pintarem frescos na Capela Sistina ou Giotto em Assis ou Picasso a Guernica, Rembrandt a Ronda da Noite ou…) ou encomenda que fazia a si-próprio para oferecer ao PCP e não só, com finalidades diversas.

Em que se distinguem essas obras de outras do Jorge Vieira? No tema claramente político, que como o sexo ou a religião, uma religião sem deus mas com deuses da sua mitologia muito pessoal, são temas sempre presentes na sua obra.

Tem que se sublinhar a liberdade formal que Jorge Vieira imprime em toda a sua obra o que aqui continua obviamente bem visível. Olhe-se para as foices e martelos, que se entrecruzam numa composição tão abstracta como o é “O Monumento ao Prisioneiro Político Desconhecido”. Não passaram do papel, o Jorge tem uma extensa galeria de esculturas em papel o que faz lembrar o destino da arquitectura de Piranesi que igualmente se desenrola em magnificas gravuras e desenhos que nunca foram construidos.

Ao que se apurou esta tinha dois objectivos, ser construida com uma dimensão assinalável e replicada em pequenos objectos. Imaginemos que o desenho ganhava expressão volumétrica. Seria um objecto escultórico abstracto, mesmo sendo reconhecíveis os seus elementos construtivos.

Que dizer da escultura em Almada, para comemorar os 25 anos do 25 de Abril. Três mãos saem poderosas da terra para festejar, agarrar a liberdade. Escultura pública tão significante como o Homem Sol na no Parque das Nações. Ou da pequena cabeça que é segmentada por três cortes verticais que permitem múltiplas quase infinitas composições, que fez na oportunidade da 1ª Assembleia de Artes e Letras da ORL do PCP, em 1977,

E as figuras humanas? Vão da figuração mais agarrada à realidade a toda uma outra que mergulha na inteligência estética, no sopro artístico de que estava possuído.

O que se pode extrair e concluir desta exposição é que, para Jorge Vieira, o assunto, o tema torna-se subsidiário, incorpora-se no seu trabalho com a naturalidade que só os artistas maiores conseguem, tornando fácil e óbvio o que é transcendente. Artistas maiores também por não se submeterem à férula dos axiomas, criando em liberdade e pela liberdade. Conscientes que a autonomia e liberdade artísticas inscrevem as suas leis nas leis mais gerais e universais da sociedade.

Jorge Vieira foi, pela sua vida e obra, um paradigma do artista de vanguarda que, de forma directa ou oblíqua em unidade ou conflito, estava empenhado em transformar a vida e a arte. Demonstra como a arte apesar de ser sempre intemporal e de ultrapassar os circunstancialismos em que foi criada, nega a ficção da arte pela arte, porque a arte não é pensada e concebida num satélite livre de qualquer lei, uma lua sem terra, ou medra numa ilha impossível,, porque nenhuma ilha existe se não existir um continente em relação ao qual se define.

O Jorge, este Jorge é o mesmo Jorge de sempre, a questionar e a criar com os pés bem firmados na terra.

No entanto, os seus voos escapavam, continuam a escapar às leis da gravidade.

(*)Who Paid the Piper?The CIA and the Cultural Cool War, Frances Stonor Saunders,, Granta Books, 1999

(**)Postmodernism or The Cultural Logic of Late Capitalism,Francis jameson, New Left Review 146,Jul-Ago 1984