Mais música

Foi um amigo que me deu a conhecer este novo trabalho musical, de muito bom gosto, sedutor, capaz de despertar todos os nossos sentidos e abrindo a curiosidade para receber, com toda a atenção, o novo EP “5 Monstros”, de Tio Rex, com data de edição prevista para 1 de Outubro.  

É tão difícil fazer tanto com tão pouco… tarefa só acessível aos predestinados.

 

Os ventos bonançosos habitam Setúbal

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As inúmeras rotundas que pontuam as estradas dos itinertários principais ou circulares e os principais eixos viários das cidades e vilas de Portugal, são muitas vezes objecto de intervenções artistícas. Como é natural, e quase obrigatoriamente acontece, umas são mais bem sucedidas que outras.

A rotunda da Avenida Álvaro Cunhal, na zona do Montebelo, tem caracteristícas que tornam qualquer intervenção escultórica um desafio de grande complexidade. A poluição visual que a envolve, além de ser intensa é particularmente dissonante. Um desafio que nem todos os escultores, sublinhe-se que independentemente da sua valia, conseguiriam, com êxito, resolver.

A escolha de Sérgio Vicente foi particularmente acertada. A sua obra pública, de que é exemplo em Setúbal a realizada no Fórum Luísa Todi, tanto no exterior como no interior,demonstra a sua aptidão para desconstruir e descodificar os sinais circundantes positivos e negativos para os integrar por contraposições ou analogias.

Esta escultura, a que chamou O Zéfiro,é um exemplo especialmente feliz.

Sobre um plano horizontal, raso, sem sobressaltos, de relva cortada curto, erguem-se várias vigas de ferro cujas curvas em diálogo criam um delicadíssimo desenho, visto de que ângulo for, em movimento ou estando estacionado. Recorta-se fluidamente, o que contraria a bruteza do material conformando-o a movimentos de leveza quase balética que se impõem ao referido ruído visual.

Não escapa a ninguém a ideia que o escultor quer transmitir: o registo do movimento invisível do vento, o que consegue com a mão inteligente de que está possuído.

Sérgio Vicente materializou uma escultura que confere identidade a um contexto descaracterizado, inscrevendo-o nos itinerários artísticos e culturais da cidade de Setúbal, mais uma vez por intervenção da Fundação Buehler-Brockhaus, que muito tem feito pela cultura nesta cidade que escolheram para casa.

Uma nota final. A cidade de Setúbal, com O Zéfiro,pode orgulhar-se de possuir duas das esculturas mais mais significativas da arte pública contemporânea.de Portugal.A outra é o Monumento às Nacionalizações dos escultores António Trindade e Virgílio Domingues e do arquitecto Rodrigo Ollero que, criminosa e estupidamente a gestão Mata Cáceres quis ocultar cercando-a de palmeiras de grande porte.Devia estar movido pela raiva reaccionária às nacionalizações e do ódio paranazi à arte moderna. Infelizmente e por inércia, essa escultura continua visualmente maltratada, acrescentando-se às palmeiras,grandes paineis de publicidade política ou comercial. É tempo de fazer justiça a tão significativa escultura, tanto do ponto de vista estético como simbólico.

Bocage, poeta da Liberdade

Lisboa 24 Fevereiro 1981

Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,
Mansa corrente deleitos, amena,
Em cuja praia o nome de Filena
Mil vezes tenho escrito, e mil beijado:

Nunca mais me verás entre o meu gado
Soprando a namorada e branda avena,
A cujo som descias mais serena,
Mais vagarosa para o mar salgado:

Devo enfim manejar por lei da sorte
Cajados não, mortíferos alfanges
Nos campos do colérico Mavorte;

E talvez entre impávidas falanges
Testemunhas farei da minha morte
Remotas margens, que humedece o Ganjes.

CONCERTO OPUS 40 E CRAVOS

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Mais uma vez na Festa do Avante! o concerto de abertura foi de música sinfónica. Um facto a sublinhar que cai no silêncio dos diversos telejornais, sempre muito prontos a darem notícia ou a fazerem reportagens em directo dos variegados festivais alive encharcados de música internacional nos sentimentos e anglo-saxónica na forma. Entende-se que isso suceda pelo contumaz exercício de adormecer cabeças e corpos nos sons que abanam a mediocridade quanto baste para o que pensamento banal dominante se procure perpetuar. A devoção com que tratam esses festivais é uma extensão dos programas das júlias, gouchas, fátimas e os portugais ao vivo com música pimba aos molhos. Tem outra componente que deve ser denunciada, a publicidade directa e à borla dos seus promotores, pilares do sistema que procura esclerosar a massa cinzenta dos cidadãos. Alguém ou alguns andam a ganhar por fora do estipendio normal dos orgãos de comunicação social. Enfim, este é um país sem vergonha de deixar Ricardo Salgado ficar em liberdade a troco de 3 milhões de euros, uma gota de água nos maravedis que ele arrecadou que devem navegar em contas offshore. Se ficasse preso, pelo que tem dito em entrevistas em que faz striptease da sua volubilidade, teria contado todos os golpes que ele e a familória andaram a fazer com a benevolência do Estado dito de direito. Aquilo é gente invertebrada, sem estaleca para nada, a não ser roubar legal, alegal e ilegalmente.

Este preâmbulo parece fora de contexto, mas não está.

Não é um acaso a Festa do Avante!, nas suas últimas edições, no Palco 25 de Abril, o seu palco principal, iniciar as actuações com um concerto de música sinfónica.

É uma iniciativa que marca e sublinha o seu carácter político e cultural. Se o primeiro concerto foi uma surpresa, a continuidade mostra à saciedade que há um público que, maioritariamente não habituado a ouvir música sinfónica, foi progressivamente conquistado, afinando o seu ouvido. Como Marx teorizou, só um ouvido ouvindo música se aperfeiçoa no conhecimento da música. È isso que a Festa do Avante! faz cumprindo um serviço público que as estações de rádio e televisão públicas não fazem. O seu silêncio sobre esse facto é sinal da sua ignomínia.

Este ano o concerto de abertura tinha por referência, como obviamente tinha que ter, os 40 anos da Revolução de Abril. O programa seleccionado era explícito desse desígnio. A abrir uma das Polonaises de Chopin a número 10, opus 90 nº 1, na versão orquestral de Glazounov, o 1º andamento da Sinfonia nº 3, dita Eroica, de Beethoven. As Polonaises de Chopin são todas de exarcebação patriótica da sua pátria que, ao longo dos séculos, sofreu diversas ocupações pelos países limitrofes. A Sinfonia Eroica de Beethoven tem a história de ser escrita pelo compositor em louvor da Revolução Francesa e do seu consul, Napoleão Bonaparte, que entretanto se coroou imperador, o que provocou a ira de Beethoven que rasgou a dedicatória, ficando a obra de glorificação dos ideais revolucionários. As outras duas obras escolhidas tinham uma relação simbólica com os 40 anos do 25 de Abril. O concerto para 4 Trompas e orquestra de Schumann, com as quatro décadas passadas sobre a Revolução do Cravos, a Sinfonia nº 40 de Mozart, a evidência do número 40.

Em relação a Mozart não podemos deixar de referir Georges Steiner que, num dos seus ensaio, conta ter ido a Budapeste encontrar-se com Lukács. O filósofo hungaro, no decurso do encontro, diz-lhe que seria impossível ouvir música de Mozart em qualquer dos eventos nazis, fosse numa das suas mega manifestações fosse nos campos de concentração. A música composta por Mozart nunca poderia ser escolhida ou ouvida nessas circunstâncias. Steiner ficou bastante admirado por afirmação tão peremptória. Em Inglaterra, levantou a questão a Benjamin Britten. O compositor inglês sentou-se ao piano, tocou algumas obras de de Mozart. Não emitiu uma opinião definitiva. Quinze dias decorridos telefonou a Steiner e disse-lhe que Lukács tinha inteira razão. Esta escolha na Festa do Avante! sendo ou não sendo a Sinfonia com o número 40 é justíssima. Pela música de Mozart, perpassa sempre o sopro de liberdade e de humanismo que Lukács percepcionou.

Milhares de pessoas ouviram atentamente as obras programadas. Ouviram-nas com atenção e entusiasmo que as levou a aplaudirem entre andamentos, o que pode ferir as susceptibilidades de alguns puristas, mais prontos a assinalar isso no contexro da Festa do que nos locais tradicionais de audição de música sinfónica onde isso também sucede. Também os puristas poderão dizer que, por exemplo, a Sinfonia de Mozart, embora seguramente executada, não se aproxima do brilho da dirigida por Joseph Krips com a Royal Concerttgebouw Orchestra, ou a Eroica de Beethoven com a direcção de Scherchen com a Vienna State Opera Orchestra, que nunca devem ter ouvido ao vivo. Mesmo em ambientes tradicionais já ouviram certamente muitas interpretações bastante mais discutíveis do que as que ouvimos na Atalaia. Fazia bem a essa gente, presumidamente culta e detentora dos parametros do gosto, ter ido à Festa do Avante! para ouvirem um bom concerto, ultrapassando as circunstâncias de ser ao ar livre, o que de algum modo afecta os instrumentos e as condições de audição,.Teriam que registar a qualidade de uma orquestra, a Sinfonieta de Lisboa dirigida por Vasco Pierce de Azevedo, que progressivamente se adequou, da Polonaise à Sinfonia nº40, ao contexto em que o concerto se realiza com um profissionalismo e um rigor em relação à interpretação das obras que é de assinalar.

No final, numa homenagem ao público, a orquestra tocou uma versão sinfónica da que ficou conhecida por Marcha do MFA, que fez estremecer de emoção os que viveram a Revolução dos Cravos e lembrou aos jovens, nascidos depois do 25 de Abril, a exaltação de um momento histórico que tem sido delapidado pelos partidos do chamado arco governativo, dando-lhes um suplemento de alma para lutar contra este estado de coisas.

O serviço público, cultural e político, que a Festa do Avante! faz, desde a sua primeira edição, sendo pioneira em Portugal de muitos eventos, teve neste concerto, um dos melhores a que já se assistiu no Palco 25 de Abril, um ponto alto. Para o ano lá estaremos todos os que gostam de música num fraterno convívio que ultrapassa, para quem não tem estúpidos preconceitos, fronteiras políticas.

Últimas notas: durante todo o concerto, o programa era extenso, poucas movimentações houve entre os milhares que a ele assistiram e não foi preciso pedir para desligar os telemóveis, não se ouviram.

Como sempre, o Programa da Festa tem anotações cuidadas e muito bem organizadas de João de Freitas Branco.

DEMOCRATAS TIRAM COELHOS DA CARTOLA

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O Manifesto “Por uma Democracia de Qualidade” é o mais requentado argumentário que procura subverter o actual sistema eleitoral baseado no método de Hondt que, apesar das suas limitações, é o que garante a mais próxima realidade entre o número de deputados e o número de votos conquistados por cada partido.Isto apesar de cada deputado dos partidos mais pequenos exigir maior número de votos, o que poderia ser corrigido por um círculo nacional onde fossem contados os votos sobrantes de cada partido, os votos que não tinham eleito ninguém.
Claro que os subscritores do tal manifesto não querem saber da representação democrática, embora se afirmem preocupados com a degradação da democracia. Lendo-se o manifesto percebe-se que isso nada lhes interessa. Demagógicamente acenam com a bandeira da aproximação dos eleitores aos eleitos o que, segundo eles, se conseguiria com a introdução de círculos uninominais e a possibilidade da apresentação de candidaturas independentes dos partidos mas completamente dependentes do sistema. É abrir caminho ao populismo, ao caciquismo, Ao serviço de quê e de quem? Financiados por quem? Registe-se que os signatários muito se preocupam com o financiamento dos partidos e nada dizem sobre as contas desses candidatos cândida e puramente detergentados dos vícios dos partidos.
O que está subjacente neste manifesto é o que a direita e uma parte do PS, procura há muito tempo:perpertuar-se no poder reduzindo o jogo democrático à bipolarização.  O CDS conhecedor dos seus limites de crescimento, por mais feiras que o Paulinho percorra, por mais botas e bonés com que se mascare a defender a lavoura, por mais benesses que a comunicação social lhe conceda, veja-se a benevolência com que o  trataram quando faltou à palavra dada na crise que montou no ano passado e como lhe atribuem, esteja ele no Palácio das Necessidades,em Caracas, Nova Iorque, Sidney,  Hong-Kong, Cascais ou no Pólo Norte, o não aumento de impostos apesar e contra ele meter os pés pelas mãos quando são, directa ou indirectamente aumentados. Apesar de todos esses favores, como os votos não andam nem demandam, olha com extrema desconfiança essa revisão do sistema eleitoral.
O que é extraordinário nestes muito democráticos e bolorentos manifestantes é centrarem no sistema eleitoral a causa da decadência da democracia. Não verem, por miopia congénita ou propósitos menos claros, que o que corrói o sistema democrático representativo, qualquer que seja o sistema eleitoral que o sustente, é a crescente indiferenciação ideológica. É porque a democracia representativa deixou de ser o lugar da luta de classes por via pacífica, como os revisionistas sociais-democratas desejavam e proclamaram.  É porque os partidos tornaram-se prolongamentos e representantes de determinados interesses económicos (muito bem representados entre os 30 signatários deste manifesto) que lhes dão apoio variável, sabendo que esses partidos são uma finalidade em-si, que são uma extensão do aparelho de estado, pelo lhes interessa manter e aprofundar, se possível, a bipolarização para a luta política ter uma fachada democrática e confinar as lutas sociais aos momentos eleitorais.
A lista de subscritores deste manifesto não é inócua. É a marca de água de quem se entricheira num palavreado oco e enganador que em vez de propugnar um aprofundamento da democracia o que quer é subverte-lá, procurando perpetuar um sistema partidário semelhante ao norte-americanos, em que a indiferenciação entre esquerda e direita é uma questão de pormenor. Aliás analisando os sufrágios nos EUA, consegue-se totobolar, com margem de erro mínima, qual o partido vencedor conhecendo- se quais os seus financiadores e os quantitativos angariados. Também é conhecida a exaltação democrática que atravessa os EUA em cada votação, basta contar o número de votos expressos e comparar com o número de habitantes com capacidade eleitoral. Uma imagem assustadora e degradante da democracia, da capacidade mobilizadora da democracia.
Por cá, a comunicação social estipendiada ao serviço de grupos económicos,  mimetizando nos melhores casos uma independência que não têm, abraça com entusiasmo os signatários desse manifesto,  chegando a dizer é escrever que propõem uma revolução do sistema.
Revolucionários de pacotilha de fachada democrática,  que tiram das cartolas coelhos com mixamatose prontos a contaminar a democracia e a liberdade.

C.P.L.P. e os OBJECTIVOS de DESENVOLVIMENTO do MILÉNIO

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São bem reconhecidas, mas não estão completamente inventariadas nem quantificadas, as assimetrias de desenvolvimento dos oito países integrantes do vasto espaço de partilha e uso do português, como meio privilegiado de comunicação, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

(Excluída, naturalmente, a Guiné Equatorial, para cuja admissão plena na Comunidade desempenhou papel decisivo a diplomacia brasileira, ao serviço do capital oligopolista do seu país e da necessidade de se expandir além fronteiras, sem olhar a pormenores…)

São assimetrias que se reflectem no posicionamento relativo dessas sociedades na lista de 179 países ordenada de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano e publicada pela ONU em 2008 (Portugal – 33º; Brasil – 70º; Cabo Verde – 118°; S. Tomé e Príncipe – 128°; Angola – 157°; Timor – 158º; Guiné – 171º; Moçambique -175º).

Este posicionamento piorou para todos em 2013, excepto para Angola e para Timor (P – 43º; B – 85º; CV – 132º; STP – 144º; A – 148º; T – 134º; G – 178º; M – 185º).

A comunidade mundial, através das suas instituições de âmbito nacional, regional ou internacional tem definido objectivos e metas para o desenvolvimento dos países de mais baixo IDH, objectivos que pretende estimular e atingir pelo incremento da cooperação bilateral e multilateral, ou, preferencialmente em parceria bi-multi.

Em Setembro de 2000, na Cimeira do Milénio da ONU, foi aprovada por 189 nações e assinada por 147, a Declaração do Milénio da qual decorreu a definição dos oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (O.D.M.) a atingir em 2015 (!).

Os países integrantes da CPLP, signatários da Declaração, fizeram seus os Objectivos aí definidos e em Julho de 2006, na VI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP que se realizou em Bissau foi feita pelos Estados membros a “Declaração sobre os ODM: Desafios e Contribuições da CPLP” e enfatizado o interesse em estabelecer como prioritários os Objectivos referentes à saúde, concretamente:

  •  4º – ODM – A redução da mortalidade infantil;
  • 5º- ODM – A melhoria do acesso à saúde reprodutiva e a redução da mortalidade materna;
  • 6º – ODM – O combate ao VIH/SIDA, malária, tuberculose e outras doenças infecciosas endémicas.

Em Abril de 2008, na I Reunião de Ministros da Saúde da CPLP que teve lugar na cidade da Praia em Cabo Verde, recordando a Declaração de Bissau, os Ministros aprovaram a Resolução sobre a Elaboração do Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP (PECS/CPLP).

Pouco depois, em Setembro de 2008, na Reunião Extraordinária de Ministros da Saúde da CPLP realizada no Rio de Janeiro, foi considerado o carácter inovador do PECS/CPLP, enquanto primeiro instrumento sectorial de cooperação no seio da Comunidade e foi aprovado o “Documento Base do PECS/CPLP onde ficaram definidas as directrizes orientadoras, os eixos estratégicos, as áreas e projectos prioritários, as estruturas de operacionalização do Plano até 2012, bem como os aspectos processuais e de mobilização de recursos para a sua concretização.

O primeiro dos sete Eixos Estratégicos do PECS/CPLP refere-se à Formação e Desenvolvimento da Força de Trabalho em Saúde, a concretizar em cinco objectivos, sendo um deles o fortalecimento da capacidade de formação em nível de pós-graduação e ampliação do quadro de pós-graduados em saúde, que passa pela concretização de projectos estruturantes como sejam a criação da Escola Nacional de Saúde Pública em Angola e o estabelecimento do Centro de Pós-Graduações Médicas em Cabo Verde, ambos de âmbito comunitário, o último instalado provisoriamente na sede do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) da Cidade da Praia em Cabo Verde, onde decorreram já vários cursos de Formação-Apoio ao Desenvolvimento (v.g. PADirH: Programa Avançado de Gestão para Directores Clínicos de Hospitais / Chefias Médicas Hospitalares).

Neste quadro tão amplo, são imensas as possibilidades de cooperar e imensa também a sua necessidade, pois que o ano de 2015 é já amanhã e para a generalidade dos países lusófonos a ausência de progresso, quando não o retrocesso, foi evidente no último lustro.

Permanecem longínquas as metas propostas pela ONU, no início do milénio, quando a ansiedade de uns por uma vida melhor e a solidariedade fraterna de outros mais afortunados, criava a ilusão de ser possível um crescimento acelerado com a correspondente criação de riqueza e a sua justa distribuição em favor das comunidades deserdadas.

No Relatório do Desenvolvimento Humano – 2013, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, tal como nos anteriores, é mais uma vez sublinhado que:

“O crescimento económico não se traduz, por si só e automaticamente, em progressos no desenvolvimento humano. A opção por políticas em prol dos mais desfavorecidos e por investimentos significativos no reforço das capacidades dos indivíduos – com ênfase na alimentação, educação, saúde e qualificações para o emprego – pode melhorar o acesso a um trabalho digno e proporcionar um progresso duradouro.”

Todavia, não tem sido assim, nesse sentido nem tão rápida, a evolução histórica destes Povos que vão arrastando consigo doença e ignorância, pobreza e fome.

Até quando?